
Porto, 28 mai 2026 (Lusa) – Os prejuízos da Metro do Porto quase duplicaram de 13,4 milhões de euros em 2024 para 26,5 milhões em 2025, segundo o Relatório e Contas da empresa, que dá conta de mais gastos com a subconcessão.
De acordo com o documento, em causa está uma diminuição do resultado líquido da transportadora em 97,1% para 26,5 milhões de euros, depois de uma melhoria entre 2023 (45,5 milhões de euros de prejuízo) e 2024 (13,4 milhões de prejuízo).
Apesar do aumento dos prejuízos, 2025 foi, ainda assim, o segundo melhor ano para a empresa dos últimos anos, dados os prejuízos de 91,1 milhões de euros em 2019, 90,7 milhões em 2020, 64,7 milhões em 2021, 46,2 milhões em 2022 e 45,5 milhões de euros em 2023.
Em 2025, a Metro do Porto registou um aumento de gastos no “principal contrato operacional da empresa”, o contrato de subconcessão (prolongado até março de 2027) com a ViaPorto (grupo Barraqueiro), que “apresenta um aumento de 43,4% equivalendo a mais 18,09 milhões de euros de gastos”.
Quanto a outros indicadores financeiros, a receita de exploração do Metro do Porto aumentou 4,9% (79,5 milhões de euros em 2024 para 83,4 milhões em 2025), tendo o custo da operação aumentado 29,8%, de 47,8 milhões de euros para 62,1 milhões.
Relativamente à taxa de cobertura global, esta diminuiu 24,2 pontos percentuais (140,3% para 116,2%), com base em rendimentos de 84,8 milhões de euros (mais 4,4% que em 2024) e gastos de 73,1 milhões (mais 26,1%).
Quanto ao investimento, avaliado por variação do ativo bruto, “em 2025 ultrapassou os 194,0 milhões de euros (189,7 milhões de euros se considerado o efeito da constituição e utilização de provisões)”, o que representa “uma ligeira redução face ao ano transato (4,3%)”.
“Os grandes projetos de expansão da rede de Metro e BRT [metrobus] (excluindo material circulante ferroviário) corresponderam a 92,4% do valor do investimento apurado para o ano de 2025”, com as linhas Rosa e Rubi a serem “as mais representativas no valor do investimento apurado para 2025, com 94,1 e 75,0 milhões de euros, respetivamente”, correspondendo a 87,1% do investimento do ano.
Quanto aos indicadores de serviço, a produção da Metro do Porto aumentou em 4,6% quanto a veículos/quilómetro (unidade de medida que serve para quantificar a oferta disponibilizada e atividade operacional), passando de 9,178 milhões para 9,598 milhões, e também quanto a lugares/quilómetro (4,8%), de 2,1 para 2,2 mil milhões.
A velocidade comercial também aumentou ligeiramente, passando de 26 quilómetros por hora para 26,1, tendo a taxa de ocupação dos veículos descido em proporção idêntica, de 22,7% para 22,6%.
A Metro do Porto registou ainda 94,54 milhões de validações em 2025, mais 5,3% que em 2024, correspondente a 4,76 milhões de validações.
“Como fatores explicativos do aumento do número de validações é possível identificar: o efeito da extensão da Linha Amarela até Vila d’Este (três novas estações inauguradas em 28 de junho de 2024 e que, por isso, em 2025 estiveram em funcionamento durante muito mais dias do que no ano anterior); e também a política tarifária”, aponta a empresa liderada por Emídio Gomes.
O aumento de validações é também explicado “sobretudo pela variação do número de validações de utilizadores do tarifário Jovem: +6,14 milhões (variação de 32,2%)”, especialmente nas “validações no tarifário Jovem sub23: +4,00 milhões (variação de 38,0%)”.
“No início de dezembro de 2024 a gratuitidade dos passes, que até então se destinava apenas aos estudantes até aos 23 anos, passou a abranger todos os jovens até aos 23 anos, inclusive, independentemente de serem ou não estudantes”, recorda a Metro do Porto.
Em contrapartida, em 2025 “diminuiu o número de validações de clientes utilizadores do tarifário Normal (tarifário Andante sem qualquer tipo de desconto): -2,06 milhões, que equivalem a -3,6%”, e os tarifários destinados à terceira idade viram um aumento de 510 mil validações.
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