
Maputo, 28 mai 2026 (Lusa) – Pelo menos 80 trabalhadores deixaram a Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) em 2025, no âmbito do processo de reestruturação da companhia estatal, segundo informação do Governo na Conta Geral do Estado (CGE).
Segundo a CGE, recentemente aprovada pelo Governo e que seguiu para apreciação no Parlamento, durante o ano de 2025, no âmbito do plano de reestruturação, foi assegurada a aquisição de quatro aeronaves, no caso, dois Bombardier Q400 e dois Embraer 190, e “registadas as ações da LAM na Central de Valores Mobiliários”.
Para “melhorar o balanço da empresa, prosseguem formalidades legais para o saneamento das dívidas garantidas pelo Estado junto à banca comercial” – BCI e Moza Banco -, refere-se ainda no documento.
Foram já “regularizadas as dívidas” da transportadora aérea junto das empresas estatais Aeroportos de Moçambique e Petróleos de Moçambique, “através de encontro de contas e cancelamento contabilístico”, acrescenta a CGE.
“No processo de reestruturação da empresa, foi iniciado o redimensionamento da mão-de-obra, através da revisão da orgânica e quadro ótimo, tendo já sido indemnizadas 80 trabalhadores, projetando-se que mais colaboradores sejam abrangidos em 2026”, lê-se.
Entretanto, a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) aprovou a aquisição de 25,2% do capital social da estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), no âmbito do processo de reestruturação, seguida da Emose e CFM, cada com 15,4%.
Ainda segundo a CGE de 2025, a HCB, empresa pública, aprovou o investimento de 36 milhões de dólares (30,8 milhões de euros) nesse processo e a criação da Fly Moz, entidade que tem o “objetivo de garantir financiamentos a LAM”, também estatal.
Neste processo de reestruturação da LAM, aprovado em 2025 pelo Governo moçambicano, outras duas empresas públicas investiram e entraram no capital social da companhia aérea de bandeira, “estando o valor a ser aplicado para a aquisição de aeronaves, saneamento da força de trabalho e pagamento de fornecedores” e “registando-se melhorias na estabilidade da operação”, conclui a CGE.
A seguradora Emose aprovou o investimento de 22 milhões de dólares (18,8 milhões de euros), “passando a ser detentora de 15,40% da estrutura acionista da LAM”, tal como a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, conforme refere a Conta Geral do Estado.
Há um ano foi anunciada a intenção de alienar 91% do capital social da LAM, mas estas três operações totalizam ainda apenas 56%.
O ministro dos Transportes moçambicano disse em novembro último que três empresas públicas vão injetar 130 milhões de dólares (110,4 milhões de euros) para recapitalizar a LAM e que 80 trabalhadores estão de saída no âmbito da reestruturarão da companhia aérea estatal.
Ao prestar informações aos deputados, no Parlamento, sobre o processo de reestruturação da LAM, João Matlombe revelou que a decisão do Governo, de fevereiro de 2025, de alienar 91% do capital social da companhia às empresas estatais Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Moçambicana de Seguros (Emose), prevê que as três paguem aquela verba.
No Parlamento, o ministro João Matlobme assumiu em novembro que o objetivo é “recapitalizar a empresa, reestruturar operações e adquirir novas aeronaves”.
“Os novos acionistas HCB, CFM, Emose e outros fundos públicos reforçam o caráter estratégico e nacional da companhia, mantendo o controlo estatal e garantindo a orientação da LAM ao serviço do interesse público”, esclareceu o ministro, revelando então, pela primeira vez, o valor da operação de alienação, fixada em 130 milhões de dólares.
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