Animais selvagens devastam mais de 12 mil hectares agrícolas no sul de Moçambique

Maputo, 27 mai 2026 (Lusa) — Mais de 12 mil hectares agrícolas foram devastados por animais selvagens no distrito de Massingir, província moçambicana de Gaza, comprometendo a segurança alimentar e reduzindo a colheita da atual campanha para apenas 11% do inicialmente previsto, foi hoje anunciado.

O alerta foi lançado hoje pelo administrador distrital de Massingir, Sérgio Costa, que apontou o agravamento do conflito entre comunidades e a fauna bravia como uma das principais ameaças à produção agrícola naquela região do sul de Moçambique, onde milhares de famílias dependem da agricultura de subsistência.

“Aqui, em Massingir, produz-se tudo, mas esse esforço redunda em fracasso por conta dos animais que estão a invadir machambas [terreno agrícola] e a devastar culturas”, declarou Sérgio Costa, falando aos jornalistas.

Segundo o responsável, o distrito planificou cultivar 16.973 hectares durante a primeira época da atual campanha agrária, mas mais de 12 mil hectares acabaram destruídos por animais como elefantes e búfalos, provenientes de áreas de conservação próximas, reduzindo drasticamente os níveis de produção agrícola.

“Só conseguimos colher um pouco mais de três mil hectares. Isto já denota o quão necessitados nos encontramos do ponto de vista de segurança alimentar”, afirmou o administrador distrital, acrescentando que os níveis de colheita representam apenas 11% da meta inicialmente estabelecida.

Sérgio Costa explicou que o conflito homem-fauna bravia está a forçar muitas famílias a anteciparem a colheita do milho para evitar novas perdas, situação que compromete a capacidade de conservação dos produtos agrícolas por longos períodos e agrava os riscos de insegurança alimentar nas comunidades afetadas.

Por isso, defendeu maior coordenação com o Parque Nacional do Limpopo para travar a invasão de animais nas zonas de produção agrícola.

O conflito entre comunidades e animais selvagens tem sido recorrente em várias regiões de Moçambique, sobretudo nas zonas próximas de áreas de conservação e margens de rios.

Em 29 de abril, a primeira-ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, pediu soluções e aprimoramento de mecanismos para reduzir o conflito entre o homem e animais no país, referindo que a vida humana é “mais importante”.

Um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano indicou que, em 2023, o número de mortos devido a ataques de animais selvagens quase triplicou num ano, chegando a 159 vítimas.

Segundo o mesmo relatório, viviam em 2023 no interior das áreas protegidas moçambicanas 205.375 pessoas, em 162 comunidades, às quais se somam 501.737 em 504 comunidades nas zonas tampão a estes parques e reservas.

Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que 159 pessoas morreram em 2023 devido a ataques de animais selvagens em Moçambique, enquanto informações da Administração Nacional das Áreas de Conservação apontam que a fauna bravia destruiu 955 hectares de culturas agrícolas entre 2019 e 2023 no país.

EYMZ (LN) // MLL

Lusa/Fim