BAD prevê crescimento da economia da Guiné-Bissau de 4,9% em 2026

Brazzaville, 26 mai 2026 (Lusa) – O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) antecipou hoje um crescimento da economia da Guiné-Bissau de 4,9% em 2026 e 5,1% em 2027, impulsionado pelos setores primário e secundário.

No relatório Perspetivas Económicas Africanas divulgado em Brazzaville, no encontro anual do BAD, indica-se que “as perspetivas económicas mantêm-se favoráveis”, depois de um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,0% em 2025 e de 4,1% em 2024.

Para 2026 e 2027, na Guiné-Bissau, espera-se que o crescimento seja impulsionado pelo sector primário (que deverá crescer 3,8% em 2026 e 3,9% em 2027), e do secundário (que deverá crescer 8,3% em 2026 e 9,6% em 2027).

Aliado a isso, está ainda “o aumento do investimento público, das exportações de bens e do consumo final”, indicou o BAD.

Quanto à inflação, espera-se que “permaneça controlada” em 2,5% em 2026 e 2,2% no ano seguinte.

Quanto ao défice, prevê-se “uma redução gradual” para 3,6% do PIB em 2026 e 3,2% em 2027, “sustentada por uma gestão fiscal rigorosa”, frisou a instituição.

Contudo, o BAD avisou que “estas previsões estão sujeitas a riscos em baixa, incluindo o conflito no Médio Oriente, com preços do petróleo acima dos 100 dólares por barril e graves perturbações nas rotas comerciais, a persistente instabilidade política e fragilidade do Estado, a dependência do setor do caju e a exposição a choques climáticos”.

No relatório “Perspetivas Económicas de África 2026: Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”, o BAD prevê que o crescimento económico de África deverá abrandar para 4,2% este ano ou até para 4% se o conflito no Médio Oriente se prolongar.

O relatório foi apresentado no encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.

O lema das reuniões deste ano, que decorrem até sexta-feira na capital da República do Congo, Brazzaville, é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”.

As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adotar “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas”.

 

*** A Lusa viajou a convite do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) *** 

 

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