
Praia, 27 mai 2026 (Lusa) — Cabo Verde propõe a crioulidade como modelo de convivência e respeito entre povos, face à fragmentação global, durante um encontro de três dias que reunirá especialistas de vários países, a partir de quinta-feira, anunciou a Presidência do arquipélago.
O Encontro sobre a Crioulidade Atlântica, nas instalações da Universidade de Cabo Verde, cidade da Praia, pretende ser “um espaço de projeção sobre o papel estruturante da crioulidade na construção da modernidade atlântica e na emergência de sociedades resilientes, diversas e inovadoras”, lê-se na nota conceptual do evento.
O encontro é promovido pelo Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, enquanto líder da União Africana (UA) para a Preservação do Património Natural e Cultural e como patrono da Década do Oceano das Nações Unidas.
Apesar de as sociedades crioulas terem nascido “de encontros por vezes traumáticos”, souberam “transformar a adversidade em matéria de criação” com novos “saberes, línguas, expressões artísticas e modos de viver”.
Após celebrar 50 anos de independência, em 2025, Cabo Verde quer afirmar-se “como um lugar natural de convergência, de diálogo aberto e de construção coletiva: somos um arquipélago que, pela sua história e vocação, soube fazer do mar não um limite, mas uma ponte”, defendeu José Maria Neves.
O encontro tem três eixos: um diálogo académico, uma vertente cultural (que inclui moda, música e gastronomia) e uma Declaração da Praia, para afirmar a crioulidade enquanto “património vivo, espaço de convergência histórica e cultural e plataforma contemporânea de diálogo, cooperação e projeção futura”.
A sessão de abertura contará com a intervenção do subsecretário-geral, alto representante para a Aliança das Civilizações das Nações Unidas e enviado especial das Nações Unidas para o Combate à Islamofobia, Miguel Ángel Moratinos — antigo ministro dos Assuntos Exteriores espanhol.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Presidente António José Seguro vão enviar mensagens de vídeo para a cerimónia.
Ao longo dos painéis de debate, está prevista a intervenção de governantes de países lusófonos e de outras nações crioulas, além de representantes de organizações internacionais.
O programa vai ainda levar as comitivas a espaços culturais da capital cabo-verdiana e arredores, como a Cidade Velha, berço da nação.
O encontro vai decorrer sob o lema “Edificar pontes, construir um futuro melhor”, porque “o Atlântico não nos separa, une-nos” e “é edificando pontes que construiremos um futuro melhor”, referiu o chefe de Estado cabo-verdiano.
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