
Maputo, 26 mai 2026 (Lusa) — A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), no centro de Moçambique, uma das maiores barragens de África, vai financiar a elaboração do Plano Diretor de Turismo para a vila de Songo, onde está inserida, sublinhando o potencial daquele território.
“A Vila do Songo, localizada na área de influência da barragem de Cahora Bassa, é um território de elevado valor estratégico, histórico, ambiental e paisagístico. Apesar do seu significativo potencial turístico, o setor do turismo local encontra-se ainda numa fase inicial de desenvolvimento, exigindo uma abordagem estruturada, integrada e sustentável”, refere a HCB, no edital do concurso para o efeito.
Em causa está um procedimento lançado pela HCB para manifestações de interesse para identificar e pré-qualificar empresas de consultoria para a elaboração do Plano Diretor de Turismo da vila de Songo e áreas circundantes.
“A ausência de um plano orientador tem limitado a adequada valorização dos recursos naturais, culturais e infraestruturais existentes, bem como a atração de investimento e o desenvolvimento de uma cadeia de valor turística local. Neste contexto, torna-se necessária a elaboração de um Plano Diretor de Turismo para a vila de Songo, como instrumento estratégico para orientar o desenvolvimento do turismo, promovendo a sustentabilidade, a competitividade territorial e a inclusão socioeconómica”, lê-se no edital.
A HCB já tinha lançado em outubro passado o processo para construir um museu tecnológico para “preservar e divulgar a história” do empreendimento, no Songo, província de Tete.
“A HCB pretende criar um Museu Tecnológico de referência, concebido como uma infraestrutura icónica ao serviço da sociedade, destinada a preservar e divulgar a história do empreendimento e a projetar o futuro através da inovação”, lê-se no edital do concurso público para a elaboração do conceito do projeto, de 22 de outubro.
Acrescentava então que o futuro museu “deverá afirmar-se como um símbolo cultural e arquitetónico integrando soluções físicas, digitais e itinerantes”, funcionando também “como plataforma para a promoção do turismo cultural e cientifico, reforçando a ligação entre tecnologia, comunidade e território”.
Por outro lado, sublinhava que o empreendimento “é uma das maiores obras de engenharia de África e símbolo do desenvolvimento energético, tecnológico e sustentável de Moçambique e da região” austral, cujo legado “constitui património arqueológico industrial de elevado valor histórico, científico e cultural, sendo também motor de desenvolvimento da vila de Songo”.
Segundo dados oficiais, a HCB garante mais de 80% da produção de eletricidade em Moçambique, que fornece também aos países vizinhos.
A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2.700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros, contando com quase 800 trabalhadores, sendo uma das maiores produtoras de eletricidade na região austral africana, abastecendo os países vizinhos.
A barragem está instalada numa estreita garganta do rio Zambeze e a sua construção decorreu de 1969 a 01 de junho de 1974, durante o período colonial português, seguindo-se o enchimento da albufeira. A operação comercial teve início em 1977, com a transmissão dos primeiros 960 MW, produzidos por três geradores, face à atual capacidade instalada de 2.075 MW.
A HCB é detida em 85% pela estatal Companhia Elétrica do Zambeze e pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN) em 7,5%, possuindo a empresa 3,5% de ações próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.
O acordo de reversão da HCB, concluído em 2007, permitiu que o controlo da barragem passasse do Estado português para a contraparte moçambicana, num acontecimento descrito pelo então Presidente moçambicano, Armando Guebuza, como a “segunda independência de Moçambique”.
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