
Londres, 25 mai 2026 (Lusa) — O antigo diretor executivo do Partido Nacional Escocês, que foi casado com a ex-primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon, declarou-se hoje culpado de desviar fundos angariados pelo partido pró-independência para financiar a sua campanha.
Peter Murrell, de 62 anos, que não era um funcionário eleito, admitiu, perante o Tribunal Superior de Edimburgo, ter desviado 400.310,65 libras (cerca de 464 mil euros) entre agosto de 2010 e outubro de 2022, período durante o qual supervisionou as finanças do partido que governa a Escócia desde 2007.
O juiz ordenou a prisão preventiva até à audiência de sentença, marcada para 23 de junho, depois de descrever as ações como uma “grave quebra de confiança” e “um abuso da sua posição privilegiada”.
De acordo com a acusação, Murrell utilizou parte dos fundos em investigação para comprar artigos de luxo, joias, cosméticos, dois veículos e uma autocaravana.
O caso faz parte da Operação Branchform, uma investigação iniciada pela polícia da Escócia em 2021 sobre o financiamento do Partido Nacional Escocês (SNP, na sigla em inglês) e a utilização de fundos angariados desde 2017 para uma potencial campanha por um segundo referendo sobre a independência, depois da consulta realizada em 2014.
Murrell foi detido pela primeira vez a 05 de abril de 2023 e novamente a 18 de abril de 2024, altura em que foi formalmente acusado.
Nos dias que se seguiram à detenção inicial, o então tesoureiro do partido, Colin Beattie, e a própria ex-primeira-ministra foram também detidos, mas posteriormente libertados sem acusação.
Em março do ano passado, a polícia da Escócia comunicou a Beattie e Sturgeon que já não estavam sob investigação.
Nicola Sturgeon anunciou a demissão como líder do SNP e do Governo escocês a 15 de fevereiro de 2023, no meio de uma crise interna no partido, embora tenha negado que a saída estivesse ligada à investigação, tendo-se mantido como membro do parlamento até às eleições regionais de 07 de maio.
Nestas eleições, o partido conquistou a quinta vitória consecutiva no parlamento escocês, embora sem maioria absoluta.
Na terça-feira, o Governo escocês, liderado por John Swinney, planeia apresentar uma moção ao parlamento a pedir uma transferência de poderes do Governo britânico para permitir à Escócia realizar um segundo referendo sobre a independência.
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