
Setúbal, 22 mai 2026 (Lusa) — Os sócios do Vitória de Setúbal aprovaram um projeto imobiliário nos terrenos do clube em Vale de Cobro, para reduzir a dívida e reforçar a sustentabilidade financeira, tendo como principal objetivo o regresso à I Liga de futebol.
Em declarações à agência Lusa após a assembleia geral realizada no Pavilhão Antoine Velge, na sexta-feira à noite, com a presença de cerca de 400 associados, o presidente do Vitória de Setúbal, Francisco Alves Rito, disse que “a proposta da direção foi aprovada por larga maioria, com algumas abstenções e poucas dezenas de votos contra”.
“A proposta prevê o desenvolvimento de um projeto imobiliário nos terrenos de Vale de Cobro, em parceria com o grupo Tafver, patrocinador principal do clube, através da elaboração de um plano de pormenor para dois lotes pertencentes ao Vitória de Setúbal”, explicou.
Segundo Francisco Alves Rito, a operação deverá permitir pagar toda a dívida à Autoridade Tributária e reduzir a dependência do projeto imobiliário previsto para o Estádio do Bonfim, associado a um Pedido de Informação Prévia (PIP) já aprovado.
“O Vitória ganha maior liberdade, tem condições para ponderar o que realmente fazer e fazê-lo da melhor forma”, afirmou o dirigente do clube sadino, salientando que o clube “deixa de depender do projeto imobiliário do Bonfim para cumprir o Plano de Insolvência e Recuperação (PIRE), em execução há mais de um ano”.
Para o presidente do Vitória de Setúbal, a aprovação do projeto representa, também, “a independência financeira do Vitória”, permitindo ao clube “passar da fase da luta pela sobrevivência para uma etapa focada na sustentabilidade e no relançamento desportivo”.
“O Vitória de Setúbal vai disputar na próxima época o Campeonato de Portugal, com o objetivo assumido de subir à Liga 3 e prosseguir o percurso de regresso à I Liga portuguesa”, sublinhou.
Segundo Francisco Alves Rito, “o passivo total do universo sadino, anteriormente estimado em cerca de 64 milhões de euros entre clube e Sociedade Anónima Desportiva (SAD), foi reduzido para pouco mais de seis milhões de euros, após a liquidação da SAD”.
Além disso, acrescentou, “com a concretização da operação aprovada em assembleia geral, a dívida deverá baixar para pouco mais de quatro milhões de euros, valor que continuará a ser pago ao abrigo do PIRE, através de um plano prestacional”.
O presidente do Vitória de Setúbal adiantou ainda que os próximos passos da direção do clube passam pela “elaboração do plano de pormenor para o Vale de Cobro, definição da capacidade construtiva dos terrenos e continuação de uma gestão rigorosa”.
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