Embaixador iraniano no Líbano na lista de novas sanções dos EUA contra Hezbollah

Washington, 21 mai 2026 (Lusa) – O Departamento do Tesouro norte-americano impôs hoje sanções a nove indivíduos, incluindo o embaixador do Irão no Líbano, acusando-os de obstrução ao desarmamento do grupo xiita Hezbollah, apoiado por Teerão e considerado terrorista pelos Estados Unidos.

O pacote de sanções inclui o embaixador do Irão no Líbano, Mohammad Reza Sheibani, segundo o Departamento do Tesouro em comunicado, que foi declarado ‘persona non grata’ no final de março e está sujeito a uma ordem de expulsão das autoridades libanesas.

Entre os atingidos pelas medidas do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros encontram-se três deputados do Hezbollah no parlamento libanês (Ibrahim al-Musawi, Hussein al-Hajj Hassan e Hassan Nizamedine Fadlallah) e o líder do conselho executivo do grupo xiita, Mohamed Abdel Motaleb Fanich,

Dos deputados, é destacado Hassan Nizamedine Fadlallah, que dirigiu a cadeia de televisão al-Manar e ajudou a fundar a rádio al-Nour, ambas afiliadas ao Hezbollah e sancionadas pelos Estados Unidos.

Washington impôs também sanções a outros quatro cidadãos libaneses, dois dos quais — Ahmad Asaad Baalbaki e Ali Ahmad Safawi — apontados como agentes de segurança do movimento xiita Amal, descrito pelo Departamento do Tesouro como um “aliado político e parceiro de segurança do Hezbollah”.

Aos dois elementos do Amal juntam-se dois altos oficiais das forças armadas libanesas: o chefe do Departamento de Segurança Nacional, brigadeiro-general Khatar Nasser Eldin, e o coronel Samir Hamadi, chefe dos serviços de informações do Exército em Dahiyeh, o bairro nos arredores sul de Beirute que é um bastião do Hezbollah.

Ambos, segundo o Departamento do Tesouro, “partilharam informações importantes com o Hezbollah durante o conflito em curso ao longo do último ano”.

O Departamento do Tesouro assinalou que “o Governo libanês exigiu que as forças de segurança tomem medidas enérgicas para interromper as atividades da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, que tem apoiado as operações militares do Hezbollah”.

O grupo xiita libanês é descrito como “uma organização terrorista” que deve ser completamente desarmada, no âmbito dos esforços das autoridades de Beirute de conferir o uso exclusivo de armamento às forças armadas e de segurança, depois de ter proibido as suas atividades militares no início de março.

“O Departamento do Tesouro continuará a tomar medidas contra os funcionários que se infiltraram no Governo libanês e permitiram que o Hezbollah levasse avante a sua campanha insensata de violência contra o povo libanês e obstruísse uma paz duradoura”, advertiu o secretário norte-americano Scott Bessent, citado no comunicado.

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o irão, ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, mais de três mil pessoas foram mortas, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão. 

Os Estados Unidos estão a mediar desde o mês passado negociações de paz entre o Líbano e Israel, que não têm relações diplomáticas, durante um cessar-fogo acordado pelos dois lados mas que não é reconhecido pelo Hezbollah.

Apesar da trégua, os ataques e confrontos entre Israel e as milícias do grupo xiita prosseguem.

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