
Amesterdão, 21 mai 2026 (Lusa) — A Stellantis anunciou hoje um novo plano estratégico de 60 mil milhões de euros, numa estratégia a cinco anos que vai dar prioridade a quatro marcas e ao mercado norte-americano e reduzir a capacidade europeia em 17%.
Junto dos investidores, o diretor-geral do grupo que engloba 14 insígnias automóveis, Antonio Filosa, explicou que o objetivo é alcançar “preços acessíveis” e recuar nos custos, depois das perdas elevadas em 2025.
O grupo pretende reduzir os custos anuais em cerca de 6.000 milhões de euros até 2028, face a 2025.
Uma das principais formas de o fazer será na redução da capacidade atual das suas fábricas na Europa em mais de 800.000 unidades até 2030, passando de 4,65 milhões para 3,85 milhões de unidades.
Esta redução da capacidade europeia será feita através da reconversão de algumas fábricas, em grande parte subutilizadas, como Poissy (França), e do desenvolvimento de parcerias em Madrid e Saragoça (Espanha) e Rennes (França), tentando manter os postos de trabalho.
O objetivo é aumentar a taxa de utilização das instalações europeias de 60% para 80% até ao fim do plano estratégico.
A meta de 80% também é estabelecida para os Estados Unidos da América, onde Filosa acredita que o grupo tem as melhores oportunidades.
“A América do Norte representa a maior oportunidade para o nosso crescimento e rentabilidade”, apontou.
A Stellantis quer ainda que o seu volume de negócios cresça 15% na Europa — incluindo Reino Unido, Suíça e Noruega — e 25% na América do Norte.
Para isso, conta apresentar 60 novos modelos e 50 alterações a modelos já existentes, incluindo 29 elétricos, 15 híbridos plug-in, 24 híbridos e 39 veículos com motores de combustão interna.
Entre os modelos previstos está uma nova versão do clássico Citröen 2CV, com uma motorização elétrica.
A Stellantis espera ainda lançar sete novos produtos abaixo de 40.000 dólares (34.500 euros, ao câmbio atual), dois dos quais abaixo dos 30.000 dólares (26.000 euros).
Em termos globais, 60% dos 36 mil milhões de euros de investimento alocados às marcas e produtos serão destinados à América do Norte.
A Stellantis anunciou ainda uma nova plataforma, a STLA One, e que quatro das suas marcas serão prioritárias: Jeep, Ram, Peugeot e Fiat.
“Estas marcas, com a sua presença multirregional, serão os primeiros lançadores naturais de todos os novos programas e tecnologias”, devendo concentrar 70% dos novos investimentos nas marcas.
As restantes marcas, como Chrysler, Dodge, Citröen, Opel e Alfa Romeo, terão estatuto regional, ficando a DS Automobiles a cargo da Citröen e a Lancia à responsabilidade da Fiat.
Depois da parceria com a Leapmotor, com quem partilha a Leapmotor International (tem 51% e controla a distribuição internacional), a Stellantis anunciou esta semana uma nova era na relação com a chinesa Dongfeng, com quem deverá criar uma empresa semelhante, também com uma participação de 51%.
As duas empresas vão, ainda, produzir dois modelos da Peugeot e dois da Jeep para venda na China e em outros territórios.
Junto da indiana Tata, a Stellantis deverá explorar novas colaborações nas regiões Ásia-Pacífica, Médio Oriente e África e América do Sul, em particular na parte industrial, cadeia de abastecimento, produtos e tecnologia.
Com a Jaguar Land Rover, a Stellantis planeia explorar “sinergias colaborativas” nos Estados Unidos da América.
O grupo automóvel Stellantis resultou da fusão das antigas Fiat-Chrysler e PSA, agrupando 14 marcas, incluindo Fiat, Citroën, Peugeot, Opel, Chrysler e Jeep.
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