
Jerusalém, Israel, 21 mai 2026 (Lusa) – O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, criticou hoje as “ações desprezíveis” do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, que na quarta-feira divulgou um vídeo a repreender e humilhar ativistas da última flotilha intercetada.
Apesar de Huckabee ser tido como um fiel aliado do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o embaixador norte-americano fez eco da “indignação e condenação universal” das ações de Ben Gvir, incluindo as expressas por alguns responsáveis israelitas.
“A flotilha foi uma manobra publicitária estúpida, mas Ben Gvir traiu a dignidade da sua nação”, afirmou numa mensagem publicada nas redes sociais.
A conduta de Ben Gvir, que o próprio publicou num vídeo divulgado nas redes sociais, provocou uma onda de críticas internacionais e já foi condenada por Netanyahu e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar.
No vídeo, o ministro surge a abanar uma bandeira israelita e a caminhar entre ativistas internacionais algemados e ajoelhados no porto de Ashdod, para onde foram levados pela Marinha israelita depois dos barcos da flotilha ‘Global Summut’ terem sido intercetados em águas internacionais.
“É assim que recebemos aqueles que apoiam o terrorismo. Bem-vindos a Israel”, dizia no vídeo.
As imagens mostram dezenas de ativistas ajoelhados com a cabeça baixa, rodeados por polícias armados, enquanto o hino nacional israelita é tocado em altifalantes.
Vários dos ativistas são também mostrados com os rostos pressionados para baixo e as mãos amarradas atrás das costas, a serem levados pelas autoridades israelitas.
Netanyahu considerou as imagens “incompatíveis com os valores de Israel” enquanto o seu ministro dos Negócios Estrangeiros acusou o colega da Segurança Nacional de ter “prejudicado deliberadamente” a imagem do país com “este espetáculo vergonhoso”.
As forças israelitas, que intercetaram os barcos da flotilha na costa do Chipre na segunda-feira, começaram na quarta-feira a deter e transferir centenas de ativistas pró-Palestina, incluindo dois portugueses, para o sul de Israel.
Na noite de terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel tinha indicado que os 430 membros da flotilha tinham sido transferidos para navios israelitas e estavam a caminho de Israel.
“Tendo partido para Gaza para entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio ilegal, estes participantes civis foram removidos à força das águas internacionais”, denunciou a organização de defesa dos direitos humanos Adalah.
Cerca de meia centena de navios partiram da Turquia na semana passada com o objetivo de quebrar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, devastada por dois anos de guerra.
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