Governo moçambicano quer investigação a assassínio de membros do Anamola

Maputo, 19 mai 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano repudiou hoje o assassínio de membros do partido Anamola, fundado por Venâncio Mondlane, e pediu às autoridades policiais para investigarem e responsabilizarem os autores.

“Não sabemos o que estará por detrás, é um caso que deve ser perseguido, as autoridades deverão naturalmente perseguir para buscar as razões que estão por detrás. Nós não encorajamos, como Governo, justiça privada. O Governo repudia e responsabiliza, por isso que as autoridades respetivas deverão fazer um trabalho para confirmar ou identificar os culpados e naturalmente responsabilizar”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, questionado pelos jornalistas no fim de uma sessão do órgão, em Maputo.

Mais um membro do partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) foi morto a tiro na sexta-feira, na sua residência, no distrito de Massangena, província de Gaza, confirmou a polícia, sendo que o outro homicídio aconteceu na noite de 09 de maio, quando Anselmo Vicente, coordenador do partido no Chimoio, centro do país, foi também atingido mortalmente a tiro.

Perante este cenário, o Governo disse que ninguém tem o direito de tirar a vida de outro cidadão, apelando à calma perante as investigações que vão ser dirigidas pela polícia para encontrar as reais motivações e os culpados pelos crimes.

“O Governo repudia e vamos continuar a instar as autoridades para que encontrem os culpados e, a breve trecho, responsabilizem”, disse Impissa.

Em 11 de maio, o político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou o assassínio de 56 membros do seu projeto político, convocando para o dia seguinte um minuto de silêncio, entoação do hino nacional e apitos contra estas mortes.

“Ao todo, estamos a contar agora [com] Anselmo [Vicente], 56 membros do Anamola brutalmente assassinados pelas Forças de Defesa e Segurança. Casos de violência desde agressões, queima de casas e outro tipo de situações, temos registados 436 casos no partido Anamola”, denunciou então o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, em direto na sua página do Facebook.

Venâncio Mondlane, candidato presidencial em 2024 e um dos principais críticos da governação em Moçambique, disse que estes assassínios são em resposta “à aceitação e força brutal” que o seu partido tem, incluindo uma base social “extremamente forte”, indicando que a formação política está disposta a fazer uma luta “livre, justa e pacífica” na política moçambicana.

Mondlane anunciou na semana passada que voltou à Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana para se queixar de perseguição política. “Submetemos à procuradoria um relatório e uma denúncia atualizada, [com] 436 casos de violência extrema contra este partido”, disse o presidente do Anamola.

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