
Lisboa, 18 mai 2026 (Lusa) — O realizador português Leonel Vieira inicia na próxima semana, em Lisboa, a rodagem do filme “A Noite”, a partir de uma peça de teatro de José Saramago, numa coprodução com Espanha, revelou a produtora Volf Entertainment.
O filme contará com as interpretações de Nuno Lopes, Adriano Luz, do ator espanhol Enrique Arce, e ainda do ator e antigo jornalista José Martins, que coassina a adaptação da história com Leonel Vieira.
À Lusa, fonte da produtora Volf Entertainment, de Leonel Vieira, explicou que a rodagem vai decorrer entre 25 de maio e meados de junho, com filmagens nas zonas da Graça e do Bairro Alto, em Lisboa.
O filme é uma coprodução com Espanha, conta com o apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual, RTP e distribuição nacional da NOS Audiovisuais, e foi apresentado a potenciais distribuidores internacionais no “Mercado do Filme”, um dos eventos paralelos ao Festival de Cinema de Cannes, em França.
Em declarações no sábado à revista Variety, Leonel Vieira descreveu-o como “um drama político sobre a ‘revolução dos cravos'”, com o qual espera ter visibilidade internacional não só pela qualidade da escrita como pelo reconhecimento mundial do escritor José Saramago, Nobel da Literatura em 1998.
A história de “A Noite” (1979), a primeira peça de teatro escrita por Saramago, passa-se na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, na redação de um jornal em Lisboa.
A ação centra-se numa discussão entre Manuel Torres, um redator de província que defende a verdade jornalística, e o seu chefe de redação, Abílio Valadares, submisso à ditadura e à censura existentes em Portugal. Ao lado de Abílio Valadares está o diretor do jornal, Máximo Redondo.
O conflito entre jornalistas e chefias agrava-se quando na redação surge uma informação de que, nas ruas, poderá estar em curso uma revolução.
“A Noite” já teve várias encenações nos palcos portugueses, sendo uma das mais recentes pelo Grupo de Teatro Jornalistas do Norte em 2024.
Leonel Vieira tem trabalhado entre Portugal e o Brasil, em produção e realização de cinema e televisão.
No cinema, a primeira longa-metragem, “A sombra dos abutres”, saiu em 1997, à qual se seguiram, por exemplo, “Zona J” (1998), “A selva” (2002), “Julgamento” (2007), as adaptações de dois filmes antigos da comédia portuguesa “O pátio das cantigas” e “O leão da Estrela” (2015), tendo produzido “A canção de Lisboa” (2016).
Produziu igualmente as séries “Os filhos do rock” (2013), “País irmão” (2017), “Filha da Lei” (2017), “Favàritx” (2025) e “O Grito” (2025).
Mais recentemente rodou no Brasil o filme “O último animal” (2023) e em Portugal “O pátio da saudade” (2025).
De acordo com o Instituto do Cinema e do Audiovisual, que sistematiza estatísticas do cinema desde 2004, “O pátio das cantigas” (2015) é o filme português mais visto pelos portugueses nos cinemas com 608.692 espectadores.
A obra literária de José Saramago já teve várias adaptações para cinema, nomeadamente “Jangada de Pedra” (2002), de George Sluizer, “Ensaio sobre a cegueira” (2008), de Fernando Meirelles, “Embargo” (2010), de António Ferreira, “O homem duplicado” (2013), de Denis Villeneuve, e “O ano da morte de Ricardo Reis” (2020), de João Botelho.
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