Giro: Eulálio sabe que vai perder a ‘maglia’ no ‘crono’ mas sonha com acabar no top 10

Lucca, Itália, 18 mai 2026 (Lusa) — Afonso Eulálio está convencido de que perderá a camisola rosa para Jonas Vingegaard no contrarrelógio, mas sente ter ‘ajustado contas’ com a Volta a Itália em bicicleta, onde gostava de ganhar uma etapa e fechar no top 10.

O ‘maglia rosa’ foi perentório quando, em conferência de imprensa, lhe perguntaram se acreditava que podia manter a liderança do Giro na terça-feira, após os 42 quilómetros de contrarrelógio da 10.ª etapa: “Não”.

“Não acredito que a mantenha, gostava de defendê-la e vou lutar por isso, mas o Jonas é superbom, um dos melhores corredores do mundo. Mas darei tudo o que tenho. Neste contrarrelógio, as minhas hipóteses são muito baixas, de dois, três [numa escala até 10]. […] Este ‘crono’ é totalmente plano, velocidade máxima, é o pior contrarrelógio para ciclistas leves”, avaliou.

Afonso Eulálio parte para a etapa de terça-feira com 02.24 minutos de vantagem sobre Vingegaard, o campeão em título da Vuelta e duas vezes vencedor do Tour (2022 e 2023), que é segundo na geral.

“Há um mês, o meu plano era encarar o contrarrelógio como um dia de descanso, e agora tenho de dar o máximo. […] Trabalhei um pouco o contrarrelógio, mas não muito, porque vim para o Giro como um homem de trabalho, um gregário. Ia ter as minhas oportunidades nas montanhas, e agora as coisas mudaram um pouco”, notou.

O figueirense acredita que pode vir “a fazer contrarrelógios bons”, mas duvida que seja o caso da 10.ª etapa da 109.ª Volta a Itália.

“É um contrarrelógio que é mesmo zero para mim. É totalmente plano, sobre velocidade. É sofrer”, antecipou.

Por isso, prefere não apontar já a objetivos futuros neste Giro, preferindo ver onde fica após o ‘crono’ para, depois, decidir se irá por etapas ou por um lugar entre os 10 primeiros na geral final.

“Quando vesti a camisola rosa, ganhei força, mas não sei o que vai acontecer quando a perder”, concedeu.

Mas, como “sonhar é de graça”, o ciclista de 24 anos confessou que “o que gostaria era de fechar no top 10 e ganhar uma etapa”.

Depois de, no ano passado, ter desistido da sua estreia na Volta a Itália, a dois dias do final, Eulálio considera que já ‘ajustou contas’ com a ‘corsa rosa’, o seu grande objetivo à partida da 109.ª edição, em 08 de maio, em Nessebar, na Bulgária.

“Agora, penso que só falta mesmo terminar. Acaba por ser bastante engraçado, porque tínhamos em mente optarmos por Tour ou Giro e acabámos por decidir o Giro, porque deixei as contas em aberto no ano passado. E fizemos bastante bem em regressar”, defendeu.

Eulálio vestiu a ‘maglia rosa’ após a quinta etapa, na qual foi segundo após integrar a fuga do dia, e já é o segundo ciclista português que mais tempo passou na liderança do Giro, superando Acácio da Silva, que em 1989 foi primeiro durante dois dias, e estando atrás apenas de João Almeida, líder durante 15 dias na edição de 2020.

“No dia da fuga, provavelmente alguns ciclistas eram mais fortes do que eu nas subidas, mas o dia foi tão difícil, que no final saí-me bem. Sofro mas realmente gosto destes dias, molhados, de sobe e desce”, admitiu, reconhecendo não ter “a experiência dos outros corredores” para saber dosear esforços, sobretudo, em etapas mais fáceis.

Apontando a etapa em que esteve fugido como o seu momento mais duro neste Giro, o corredor da Bahrain Victorious escolheu a subida ao Blockhaus, na sétima tirada, como a maior dificuldade desde que vestiu a ‘maglia rosa’, “não apenas pela subida, mas pelo vento”.

Considerando que melhorou “muito” nos últimos anos, Eulálio confia que estará bem até ao final da Volta a Itália, que termina em 31 de maio, em Roma.

“Faltam duas semanas, não sei o que posso fazer. A última semana será muito difícil, temos uma boa equipa, que está a trabalhar muito bem”, concluiu, numa conferência de imprensa em Lucca, no segundo dia de descanso da 109.ª edição da prova italiana, que regressa na terça-feira à estrada.

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