
Maputo, 18 mai 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano exigiu hoje alta vigilância da polícia para evitar que raptores furem a “muralha de segurança” criada contra os raptos, sem casos este ano, referindo que o combate ao crime continua “prioridade absoluta” do país.
“Nestes meses em que a situação normalizou, provavelmente os criminosos estejam a engendrar artimanhas para furarem a muralha de segurança montada pelo Estado. É imperioso continuarem a manter o nível de vigilância em alta contra os raptos”, alertou Daniel Chapo, em Maputo, durante saudação à corporação por ocasião da celebração do 51.º aniversário da Polícia da República de Moçambique (PRM), assinalado no domingo.
O chefe de Estado disse que são encorajadores os resultados alcançados nos últimos meses no combate aos raptos em Moçambique, mas avisou que “não se deve dormir à sombra da bananeira”, acreditando que o crime “passou para a história”.
“O combate aos raptos deve continuar a ser uma prioridade absoluta no país (…). Estas recomendações não são direcionadas apenas à PRM. Elas são válidas para todas as forças e instituições que fazem parte do xadrez de segurança dos moçambicanos”, declarou o Presidente.
Em abril, Daniel Chapo disse que Moçambique estava há seis meses sem registo de casos de raptos, sublinhando que a melhoria da segurança reforça a confiança e a atratividade de investimentos nacionais e estrangeiros.
Pelo menos 40 pessoas foram detidas em Moçambique em 2025 por envolvimento em raptos, 14 das quais condenadas, anunciou, também em abril, o procurador-geral moçambicano, sugerindo o congelamento de contas e património das vítimas para desincentivar estes crimes.
Para Amércio Letela, uma medida que permite congelar ativos patrimoniais associados aos pagamentos de resgate, quando existam fortes indícios de esses recursos podem ser mobilizados para satisfazer exigências financeiras dos autores dos crimes, poderá travar os raptos em Moçambique, crime de que foram vítimas em 2025 10 pessoas, e 15 em 2024.
Cerca de 300 pessoas envolvidas em casos de rapto foram detidas desde os primeiros registos destes crimes em Moçambique, em 2010, disse à Lusa, em 23 de outubro, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), explicando que esta estatística representa apenas um número aproximado.
Nos últimos 12 anos, uma centena de investidores também deixou o país por receio, segundo números divulgados em 2024 pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
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