
Nações Unidas, 16 mai 2026 (Lusa) — O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, saudou a formação do novo Governo do Iraque e reiterou o compromisso em apoiar o desenvolvimento económico e social do país.
Num comunicado divulgado na sexta-feira, Guterres manifestou satisfação com o voto de segurança recebido no parlamento e apelou à finalização “de forma rápida” da composição completa do executivo.
Na mesma nota, assinada por Farhan Haq, porta-voz adjunto do português, o líder da ONU manifestou também disponibilidade para manter uma estreita cooperação com as autoridades do Iraque.
Guterres indicou ainda que espera trabalhar com o novo Governo de Bagdade “para promover as aspirações do povo iraquiano em termos de desenvolvimento económico e social”.
Na quinta-feira, o programa do novo executivo, liderado pelo primeiro-ministro Ali al-Zaidi, recebeu um voto de confiança do parlamento iraquiano.
Zaidi, um empresário de 40 anos nomeado em 27 de abril, é considerado uma figura consensual após a demissão do ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki, sob pressão dos Estados Unidos.
O novo líder do Governo conta com o apoio do Quadro de Coordenação, uma aliança de fações xiitas que detém a maioria no parlamento e mantêm relações com o vizinho Irão a diferentes níveis.
No Iraque, um Governo obtém um voto de confiança quando o parlamento aprova a maioria dos ministros.
A presidência, um cargo em grande parte cerimonial, é ocupada por um curdo, o primeiro-ministro por um xiita e a presidência do Parlamento por um sunita.
Espera-se que o governo de Zaidi tenha 23 pastas ministeriais, mas a equipa ainda está incompleta, dado que vários cargos ainda estão a ser negociados entre os partidos, seis meses após as eleições parlamentares.
Catorze ministros foram aprovados por voto de “maioria absoluta” dos membros do parlamento, segundo a agência de notícias oficial INA.
Em janeiro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou retirar todo o apoio a Bagdade caso Nouri al-Maliki, considerado próximo do Irão, regressasse ao poder.
Zaidi é pouco conhecido nos meios políticos. Banqueiro e proprietário de uma cadeia de televisão, nunca tinha ocupado um cargo no governo.
De acordo com a INA, o primeiro-ministro prometeu garantir o controlo estatal sobre as armas, uma medida alinhada com as exigências dos Estados Unidos para desarmamento das milícias pró-Irão.
O programa de Governo de Zaidi inclui “a reforma das forças de segurança, limitando o controlo estatal sobre as armas e reforçando as capacidades das forças de segurança”.
Os Estados Unidos, que mantêm uma influência significativa na política iraquiana, têm vindo a pressionar Bagdade há meses para desarmar as milícias pró-Irão, que classificaram como organizações terroristas.
O Iraque tem sido, desde há muito, palco de conflitos indiretos entre os Estados Unidos e o Irão, com os sucessivos governos a negociarem um equilíbrio delicado entre estes dois parceiros, que são inimigos.
Durante a guerra contra o Irão, iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, os interesses norte-americanos no Iraque foram alvo de centenas de ataques aéreos atribuídos a milícias pró-Irão, contra os quais as Forças Armadas norte-americanas retaliaram, matando dezenas de combatentes.
Washington, que mantém tropas no Iraque desde a invasão de 2003 para derrubar o regime do ex-ditador Saddam Hussein, há muito que exige que as autoridades iraquianas desarmem estes grupos pró-Irão, que considera organizações terroristas.
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