
Pequim, 15 mai 2026 (Lusa) – A China apelou hoje a um cessar-fogo completo no Médio Oriente e à reabertura do estreito de Ormuz “o mais rapidamente possível”, à margem da cimeira entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump.
Desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, a 28 de fevereiro, o Irão tem bloqueado em grande parte a navegação no estreito, por onde transita habitualmente cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.
Washington mantém, por seu lado, um bloqueio naval aos portos iranianos, apesar do frágil cessar-fogo em vigor desde 08 de abril.
“As vias marítimas devem ser reabertas o mais rapidamente possível, como exige a comunidade internacional (…) Um cessar-fogo global e duradouro deve ser instaurado o mais rapidamente possível”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em comunicado.
“Esta guerra, que nunca deveria ter ocorrido, não tem qualquer razão para continuar”, acrescentou.
Xi recebeu hoje Trump nos jardins de Zhongnanhai, o complexo que alberga os principais dirigentes chineses e que se situa junto à Cidade Proibida.
Após um almoço de trabalho, o chefe da Casa Branca deverá regressar a Washington no início da tarde, ao fim de dois dias de visita de Estado marcados pelas tensões bilaterais e globais.
Xi Jinping e Donald Trump abordaram a situação no Médio Oriente durante o primeiro encontro, na quinta-feira.
Trump declarou ao canal de televisão norte-americano Fox News que Xi lhe garantiu que Pequim não enviaria equipamento militar ao Irão e que estava disposto a ajudar na reabertura do estreito de Ormuz.
A China, principal parceiro estratégico e económico do Irão, recebe a maioria das exportações de petróleo iraniano e é diretamente afetada pela quase paralisação do estreito de Ormuz.
Na quinta-feira, em plena cimeira, o Irão anunciou ter autorizado a passagem de vários navios chineses.
A China garantiu hoje que os dois líderes alcançaram “uma série de novos consensos” durante a jornada central da visita de Estado do chefe da Casa Branca a Pequim, realizada na quinta-feira.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, entre os entendimentos figura a construção de uma “relação de estabilidade estratégica construtiva China-EUA”, destinada a servir como “nova orientação dos vínculos” bilaterais “para os próximos três anos ou mais”.
A diplomacia chinesa acrescentou que ambos os líderes chegaram também a consensos sobre “como abordar adequadamente as preocupações mútuas” e acordaram reforçar “a comunicação e a coordenação em assuntos internacionais e regionais”.
Trump acrescentou que Xi prometeu a compra de 200 aviões Boeing, número inferior às encomendas de 500 aparelhos 737 MAX e cerca de uma centena de modelos de longo curso (787 Dreamliner e 777) referidas pela imprensa nos últimos meses.
O Presidente norte-americano afirmou ainda que Pequim manifestou interesse em adquirir petróleo e produtos agrícolas dos EUA, sem avançar valores.
Entre os temas que dominaram o encontro figuram também Taiwan, comércio, acesso a terras raras e semicondutores, inteligência artificial e propriedade intelectual.
Xi advertiu para o risco de “conflito” entre Pequim e Washington sobre Taiwan, enquanto Trump respondeu nas redes sociais que o Presidente chinês “referiu elegantemente os Estados Unidos como talvez uma nação em declínio”, mas que se referia ao período da administração Biden.
Segundo a diplomacia chinesa, ambos os líderes acordaram em designar a relação bilateral como uma “relação de estabilidade estratégica construtiva”. Xi afirmou: “Devemos ser parceiros, não rivais”, prometendo abrir “cada vez mais a China às empresas estrangeiras”.
Trump deslocou-se a Pequim acompanhado por uma delegação de grandes empresários, com a Casa Branca a esperar regressar com acordos em áreas como a agricultura e investimentos chineses nos Estados Unidos.
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