Obras no Palácio de São Lourenço registaram acréscimo de 27% face ao contrato inicial

Funchal, Madeira, 14 mai 2026 (Lusa) — As obras de reabilitação do Palácio de São Lourenço, no Funchal, registaram um acréscimo de 27% face ao valor inicialmente contratualizado, mas ficarão concluídas em agosto, assegurou hoje o presidente do Património Cultural — Instituto Público, responsável pelo projeto.

“Todas as obras do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] lideradas pelo Fundo de Salvaguarda Património Cultural, com os seus parceiros Património Cultural — Instituto Público, câmaras municipais e outras entidades, estarão concluídas até 31 de agosto de 2026”, disse João Soalheiro.

O responsável falava aos jornalistas no âmbito de uma audiência com o representante da República para a Madeira, Paulo Barrete, cujo gabinete e residência oficial estão instalados no Palácio de São Lourenço.

As obras decorrem na área civil do palácio, classificado como monumento nacional desde 1943, e tiveram início em julho de 2025, sendo financiadas pelo PRR.

A parte militar do edifício não está a ser intervencionada.

“O investimento inicialmente contratualizado para o palácio passou de 1,850 milhões de euros para 2,350 milhões de euros”, precisou João Soalheiro, sublinhando que o acréscimo de 27% decorre do grave estado de degradação das coberturas, circunstância que “obrigou a um profundo trabalho técnico e a gastos suplementares”.

O presidente do conselho diretivo do Património Cultural disse que as obras surpreenderam pelo “grau de exigência e de complexidade que apresentaram” e admitiu que a gestão da mão-de-obra está a ser “muito difícil” neste projeto, como em todos os outros ao abrigo do PRR.

“Mas, posso dizer que a dedicação das pessoas que estão a trabalhar, nesta obra em particular e nas obras PRR em geral lideradas pela Cultura, é absoluta”, realçou, salientando que o prazo de 31 de agosto para conclusão do projeto “não vai ser prolongado a nenhum título”.

João Soalheiro disse que o PRR canalizou mais de 234 milhões de euros para investimento na área cultural em todo o país, nomeadamente ao nível do património cultural.

“É um montante equivalente a 12 anos de orçamento do Instituto”, precisou, adiantando que “nunca em Portugal se fez um investimento com esta envergadura, tão disseminado por todo o país, com a colaboração de tantas instituições”.

No caso das obras no Palácio de São Lourenço, o Património Cultural — Instituto Público definiu como prioritárias a recuperação da estrutura de madeira das coberturas e dos tetos dos salões do andar nobre e área residencial privada, a reparação ou substituição de todas as caixilharias exteriores e a consolidação definitiva da cúpula da guarita do baluarte norte, entre outras intervenções.

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