
Paris, 12 mai 2026 (Lusa) – A França vai “tomar a iniciativa” nas Nações Unidas para propor uma missão “completamente neutra e pacÃfica” para garantir a segurança do estreito de Ormuz no futuro, adiantou hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron.
“Precisamos de obter a reabertura incondicional de Ormuz, sem portagens. Isto é possÃvel desmantelando todos os bloqueios e envolvendo-nos verdadeiramente neste diálogo exigente com o Irão”, frisou o chefe de Estado francês em declarações à TV5, France 24 e Radio France Internationale.
Macron, que falou no final de uma cimeira franco-africana, lamentou “uma escalada nas declarações” dos lados norte-americano e iraniano e apelou a um “cessar-fogo totalmente respeitado”, considerando inaceitável que não esteja a ser respeitado no LÃbano.
França e Reino Unido, liderando uma coligação marÃtima de paÃses não beligerantes, propõem uma missão multinacional para garantir a segurança do estreito de Ormuz, assim que o Irão e os Estados Unidos aceitem suspender os respetivos bloqueios, e em consulta com estes dois paÃses.
Prevê-se que a iniciativa na ONU assuma a forma de um projeto de resolução para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, para estabelecer um enquadramento para esta potencial missão.
Paris quer convencer Teerão e Washington a desvincular o destino de Ormuz do resto do conflito e das negociações com o Irão.
O bloqueio desta passagem marÃtima estratégica dificulta a exportação de hidrocarbonetos do Golfo e faz subir os seus preços, impactando a economia global.
“A reabertura de Ormuz é a prioridade absoluta”, insistiu o Presidente francês, sublinhando que deve acontecer “antes de abordar outras questões através de negociações”.
Entretanto, Emmanuel Macron acredita que o diálogo deve ser retomado “sobre a questão nuclear e dos mÃsseis balÃsticos entre o Irão e os Estados Unidos”, mas também com os europeus.
“Apoio a ideia de que devemos incluir todos os paÃses da região que são mais afetados pelo que estamos a viver atualmente e que são também afetados pela desestabilização que certas milÃcias podem criar nos seus paÃses”, acrescentou.
Um projeto de resolução promovido pelos Estados Unidos e pelo Bahrein, que estipula que o Irão deve “cessar imediatamente todos os seus ataques e ameaças” contra navios e “qualquer tentativa de impedir” a liberdade de navegação no estreito estratégico, também está em discussão no Conselho de Segurança da ONU, mas corre o risco de ser vetado pela Rússia.
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