
Bruxelas, 11 mai 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, rejeitou hoje em Bruxelas a possibilidade de o antigo chanceler alemão Gerhard Schroeder atuar como mediador europeu nas negociações para pôr fim à guerra russo-ucraniana.
“Não apoiamos de todo um candidato assim”, afirmou Sybiha aos jornalistas antes do início do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), citado pela agência pública ucraniana Ukrinform.
A proposta de mediação por parte de Schroeder foi levantada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, mas o chefe da diplomacia ucraniana disse que há “muitos outros líderes” que podem desempenhar esse papel.
Sybiha destacou o papel da UE nas negociações de paz, classificando-o como complementar ao trabalho que já está a ser desenvolvido pelos Estados Unidos.
“Temos as conversações de paz principais lideradas pelos Estados Unidos, precisamos dessa via e da liderança norte-americana, mas a Europa também poderia desempenhar um papel, um novo papel”, afirmou.
“Não estamos a falar de negociações de paz alternativas, mas de uma via complementar”, defendeu o ministro, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
O Governo da Alemanha também rejeitou a proposta de Putin para que Schroeder possa exercer as funções de mediador internacional em conversações de paz sobre a Ucrânia.
“O antigo chanceler não demonstrou no passado ter o necessário para poder atuar aqui como mediador neutral”, considerou o ministro para os Assuntos Europeus alemão, Gunther Krichbaum.
Schroeder “está, e também se deixou influenciar claramente por Putin”, afirmou Krichbaum em Bruxelas.
Berlim alega que a proximidade de Schroeder à Rússia compromete a sua neutralidade e que qualquer figura de mediação deve ser aceite por ambas as partes.
Krichbaum reconheceu que as amizades próximas são legítimas, mas “não contribuem para que alguém possa ser percebido como um ator de mediação íntegro e imparcial”, reforçando que qualquer mediador tem de ter o aval de Kiev.
“O importante, acima de tudo, é que um mediador possa ser aceite por ambas as partes”, acrescentou o político conservador alemão.
O chefe da diplomacia italiana, Antonio Tajani, afirmou que caberá à UE decidir quem a representará em eventuais conversações de paz com a Rússia e admitiu a possibilidade de ser o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
“A Europa escolherá o negociador da Europa, não a Rússia”, afirmou Tajani à chegada ao Conselho de Negócios Estrangeiros em Bruxelas, citado pela agência italiana ANSA.
“Será uma decisão tomada coletivamente pelos 27 países da UE. Mas, entretanto, precisamos de ver se a Rússia quer verdadeiramente a paz, espero que sim”, acrescentou.
Questionado sobre se António Costa poderia ser o negociador da UE, o também vice-primeiro-ministro de Itália considerou o antigo primeiro-ministro português um “nome prestigiado”.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, rejeitou igualmente o nome de Schroeder para a mediação, devido aos cargos que ocupou na cúpula de empresas estatais de energia russas após cessar funções governativas.
Kallas referiu-se ao antigo chanceler como tendo sido, na altura, um “lobista de alto nível para empresas estatais russas”.
Schroeder consolidou a dependência energética da Alemanha face à Rússia quando chefiou o Governo entre 1998 e 2005, mantendo há anos vínculo com empresas russas.
O antigo chefe de Governo, de 82 anos, é uma figura polémica na Alemanha por causa das ligações a Putin.
Em 2022, perante a pressão causada pela invasão da Ucrânia, renunciou ao cargo no conselho de administração da empresa gigante de gás russa Gazprom.
Nesse mesmo ano, o parlamento alemão retirou-lhe alguns dos privilégios a que tinha direito por ter sido chanceler.
No seio da própria formação, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), chegaram a ser debatidos pedidos de expulsão, embora nunca se tenham concretizado.
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