Hamas acusa Israel de querer impedir recuperação de Gaza

Gaza, 11 mai 2026b (Lusa) – O Hamas condenou hoje um bombardeamento israelita que matou dois membros das forças de segurança de Gaza, acusando Telavive de querer “manter Gaza num caos de segurança e minar os esforços para o regresso à normalidade”.

O grupo islamita palestiniano indicou que o ataque, realizado no domingo contra a cidade palestiniana do sul da Faixa de Gaza Khan Yunis, resultou na morte do chefe do departamento de investigação criminal da polícia local.

Segundo a mesma fonte, tratou-se de “mais um assassínio que se soma aos ataques contínuos das forças de ocupação contra agências de segurança e instituições civis para minar os pilares da estabilidade interna e impedir quaisquer passos em direção à recuperação”.

O Hamas declarou ainda que os ataques contra as forças de segurança “tentam criar um clima de caos e impedir os esforços humanitários”, e apelou à comunidade internacional para que “intervenha urgentemente para pôr fim às violações diárias da ocupação”.

Israel e Hamas adotaram em outubro do ano passado um cessar-fogo na sequência do pacto para implementar a proposta dos Estados Unidos para o futuro de Gaza.

No entanto, “a política de assassinatos e bombardeamentos de Israel” constitui uma “clara violação dos acordos” e “reflete o desejo de Israel de minar qualquer caminho que conduza à redução das tensões e à estabilidade em Gaza”, descreveu o grupo na edição de hoje do jornal palestiniano Filastin.

O Ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas mas cujos dados são considerados válidos pela ONU, informou hoje que, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, foram confirmadas 854 mortes e 2.453 feridos.

Além disso, foram recuperados 770 corpos das zonas onde as forças israelitas retiraram.

Estas forças estão agora presentes ao longo da chamada “linha amarela”, demarcada no acordo de cessar-fogo, que divide a Faixa de Gaza em duas áreas, com 53% do território (a leste) sob controlo militar de Israel, e os restantes 47% (a oeste, junto à costa) sob controlo palestiniano.

Além disso, o ministério palestiniano salientou que, desde o início da ofensiva lançada por Israel após os ataques do Hamas a 07 de outubro de 2023 — que fizeram cerca de 1.200 mortos e quase 250 reféns —, foram contabilizados 72.740 mortos e 172.555 feridos.

No entanto, reiterou, ainda há corpos debaixo dos escombros e nas ruas, pelo que o número de mortos deve ser muito maior.

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