Cabo Verde/Eleições: Eleitores pedem segurança e transportes em campanha da UCID

Praia, 08 mai 2026 (Lusa) — Entre abraços de adversários e promessas de mudança, a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) percorreu hoje bairros da capital de Cabo Verde, onde eleitores “cansados dos mesmos partidos e de compromissos falhados” pediram segurança e transportes, num dia de campanha marcado pelo apelo ao voto nas legislativas. 

“Cabo Verde está muito inseguro, não há sensação de segurança nas ruas. Há polícia, mas não resolve. E nos transportes entre ilhas continua tudo difícil. Gasta-se muito dinheiro em coisas sem necessidade. Já chega dos mesmos dois partidos”, disse à Lusa Davi Gomes, 51 anos, na Vila Nova, durante ação de campanha da UCID.

Sem hesitar, garante o sentido de voto: “Vou votar na UCID. O povo às vezes é ingrato, mas olhando para a realidade, o PAICV [Partido Africano da Independência de Cabo Verde] e o [MpD Movimento para a Democracia MpD] não devem ganhar [as eleições]. Há falhas graves na educação e na saúde. É preciso dar oportunidade a outros, porque estes dois já mostraram o que conseguem fazer”.

A campanha, liderada pelo cabeça de lista por Santiago Sul, Alberto Mello, conhecido como “Beta”, juntou-se recentemente ao partido da UCID, depois de sair do MpD poucos antes do arranque da campanha há cerca de uma semana.

Pelo percurso no bairro de Vila Nova, um dos bairros críticos em termos de segurança, entrou em casas, cumprimentou moradores e repetiu o apelo: “Vamos contar com o seu voto no dia 17”.

As horas de campanha foram vividas sob sol forte, com o habitual ritmo: ruas percorridas a pé, panfletos, chapéus e conversas rápidas à porta das casas.

A música dava o tom – “Santiago Sul pode mais, com trabalho sério vamos, Beta na frente” – enquanto bandeiras azuis e gritos de “Viva UCID” tentavam puxar energia ao bairro.

“Mais equilíbrio, melhor governação” lia-se em algumas bandeiras, numa tentativa clara de marcar diferença face aos partidos tradicionais.

Entre os moradores, o discurso repetiu-se em várias formas.

Paulo Semedo, 52 anos, resume a mudança de posição: “Sempre votei no MpD, mas agora vou votar na UCID. O Beta tem perfil, já mostrou que consegue liderar. O MpD falhou muitas promessas, sobretudo na segurança”.

No meio da campanha, houve cruzamentos com apoiantes do MpD.

As músicas sobrepuseram-se, criando algum ruído e confusão sonora, mas o ambiente manteve-se tranquilo.

Trocaram cumprimentos, apertos de mão e abraços, sem tensão visível.

Uma apoiante da UCID experimentou o chapéu da UCID e comentou: “É preciso mudar. É sempre os mesmos, PAICV e MpD?”.

Em entrevista à Lusa, Alberto Mello evitou alongar-se sobre a sua saída do MpD: “Isso já ficou no passado. Não quero falar disso. Estamos em campanha e as pessoas querem ouvir propostas”.

Ainda assim, deixou a avaliação do que tem encontrado: “O que mais se ouve nos bairros é emprego, segurança e saúde. São estes três pilares que precisam de resposta urgente. É isso que queremos levar ao parlamento”.

E acrescenta: “Outra coisa que se sente muito é o cansaço das promessas. As pessoas dizem: já chega de prometer, é hora de fazer”.

Após cerca de uma semana de campanha, o candidato fala num balanço positivo e promete continuar a agenda, com visitas a mercados, incluindo o mercado de peixe na capital, para contacto direto com a população.

A campanha para as legislativas decorre até 15 de maio, com ações previstas em várias ilhas.

Desde 1991, o MpD e o PAICV alternam no poder em Cabo Verde e dominam a Assembleia Nacional, enquanto a UCID mantém atualmente quatro deputados. Sem representação parlamentar, o Partido Popular e o PTS concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.

 

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