
Maputo, 06 mai 2026 (Lusa) – A produção das empresas moçambicanas recuou em abril, passando a terreno negativo, num contexto de procura “mais fraca” e escassez de abastecimento de combustíveis, segundo o índice PMI divulgado hoje pelo Standard Bank.
O estudo mensal, consultado pela Lusa, concluiu que, em abril, Moçambique “assinalou um declínio das condições das empresas pela primeira vez em sete meses”, face à “diminuição das vendas, a escassez de combustível e outros constrangimentos no abastecimento”, que “fizeram com que as empresas nacionais reduzissem os seus níveis de atividade”.
“A contração na produção contribuiu para uma segunda descida mensal consecutiva das aquisições de meios de produção, o que, por sua vez, proporcionou algum alívio nos custos das empresas. Contudo, as pressões salariais intensificaram-se, à medida que prosseguiram os esforços de contratação”, lê-se no estudo.
Há várias semanas que Moçambique enfrenta dificuldades no abastecimento de combustíveis, com postos encerrados por todo o país e filas generalizadas, bem como limites na compra de gasóleo ou gasolina e redução na oferta de transportes, na sequência do conflito no Médio Oriente.
No documento sublinha-se que a produção registou em abril “uma contração pela primeira vez desde junho de 2025, que a procura por parte dos clientes abrandou, “conduzindo a uma redução das novas encomendas” e que os prazos de entrega aumentaram “devido à escassez de combustível”.
O índice PMI tinha subido de 49,1 em junho para terreno positivo em julho, com 50,7, mas em agosto voltou a cair para valores negativos, 49,9, e em setembro para 49,4, recuperando em outubro para 50,4 pontos, em novembro para 50,8 e em dezembro para 50,9. Em janeiro inverteu o crescimento ao descer para 50 e em fevereiro voltou a recuperar, subindo para 50,2, mantendo-se no mesmo valor em março e recuando para 49,8 pontos em abril.
Indicadores do PMI acima de 50 pontos apontam para uma melhoria nas condições das empresas em relação ao mês anterior, enquanto indicadores abaixo desse valor mostram uma deterioração.
Os membros do painel do estudo “associaram o declínio” em abril “a um menor poder de compra dos clientes, à escassez de materiais e de combustível e a perturbações operacionais” e que as “empresas receberam também menos novas encomendas, num contexto de condições de mercado fracas e de uma diminuição da procura por parte dos clientes”.
“Embora relativamente modesta, a queda nos novos negócios foi a mais rápida observada nos últimos dez meses. De acordo com muitos membros do painel, a escassez de combustível causada pela guerra no Médio Oriente resultou em atrasos nas entregas de meios de produção. Como resultado, o desempenho dos fornecedores piorou pela primeira vez desde fevereiro de 2025, embora apenas ligeiramente”, refere-se ainda.
Citado no estudo, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, afirma que, “apesar dos ventos contrários causados pela situação no Médio Oriente, e das perturbações na disponibilidade de combustíveis a nível local”, o índice de abril do PMI “sinaliza uma melhoria no sentimento empresarial”, mas aponta que o “atual choque negativo da oferta” de combustíveis “aumenta o risco de em Moçambique”, com o previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a “situar-se abaixo” das previsões do banco, de 1,1% em 2026.
“Prevemos uma contração do PIB neste segundo trimestre de 2026, considerando o impacto da paralisação da Mozal em meados de março, por não ter conseguido renovar o contrato de fornecimento de eletricidade. A Mozal representava em 2025, 15% das exportações de bens e serviços, 2% da oferta de moeda externa e mais de 3% do PIB”, conclui o economista.
PVJ // JMC
Lusa/Fim
