
Lisboa, 05 mai 2026 (Lusa) — O grupo de trabalho criado pelo Governo para alterar o SIRESP propõe um novo sistema nacional de comunicações crÃticas e a criação de uma entidade pública especializada, recomendando uma fase de transição entre o atual sistema e a futura rede.
Esta fase de transição até ao novo sistema poderá demorar, segundo o grupo de trabalho, mais de 10 anos.
As recomendações do grupo de trabalho criado pelo Governo há cerca de um ano para encontrar uma alternativa ao Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) foram hoje apresentadas no Ministério da Administração Interna (MAI) pelo coordenador da equipa, António Pombeiro.
O grupo de trabalho propõe 33 recomendações para criar um sistema de comunicações crÃticas do Estado “soberano e resiliente” com base na análise dos eventos crÃticos, no levantamento de requisitos das entidades utilizadoras, que abrangeu forças de segurança, proteção civil, infraestruturas crÃticas e órgãos de soberania, e na avaliação dos modelos internacionais.
A proposta da equipa de trabalho passa por uma evolução progressiva para um sistema nacional de comunicações crÃticas de natureza hÃbrida, que combine, durante um perÃodo de transição, “a robustez e maturidade da rede Tetra com as novas capacidades das redes de banda larga 3GPP (4G/5G)”.
Segundo o relatório, esta abordagem é idêntica à adotada por paÃses como a Finlândia, França, Espanha, Suécia e Reino Unido.
Atualmente, o SIRESP opera com base na tecnologia Tetra, servindo cerca de 53.000 utilizadores em mais de 200 entidades. A rede assenta numa arquitetura de quatro camadas: infraestrutura fÃsica (mais de 650 locais), transporte (circuitos terrestres e satélite), rede (equipamentos Tetra e de routing) e serviços (voz, mensagens, geolocalização e, em fase experimental, multimédia).
Os peritos propõem para a fase de transição uma rede hÃbrida uma vez que a Tetra “continua a ser superior nas comunicações de voz crÃtica, na resistência a falhas de infraestrutura e no consumo energético” e “o 5G/MCX é superior em capacidade de dados, vÃdeo, integração de aplicações e interoperabilidade europeia”.
Para o grupo de trabalho, a rede hÃbrida combina o melhor dos dois mundos durante o perÃodo de transição, sem colocar em risco as comunicações operacionais”.
“A equipa de trabalho recomenda uma transição faseada do sistema atual tetra para uma arquitetura hÃbrida TetraTRA/3GPP MCX, sem disrupção do serviço”, frisam, defendendo a criação de uma entidade pública dedicada à s comunicações crÃticas do Estado, com mandato para gerir a rede Tetra, implementar a futura rede hÃbrida 3GPP, e assegurar a gestão técnica do 112 e dos sistemas de aviso à população.
Esta nova entidade deve ser distinta da atual empresa responsável pela manutenção e gestão do SIRESP e deve ter “autonomia operacional reforçada, capacidade de decisão rápida em contexto de crise, regime de recursos humanos adequado à captação de perfis técnicos altamente especializados, e pleno enquadramento no perÃmetro do Estado”.
Segundo o relatório, esta entidade deverá ser criada como “ano zero” do processo de transição.
A equipa de trabalho refere que a transição para o novo sistema transição para o novo sistema de comunicações crÃticas está prevista para decorrer ao longo de uma década e meia, alinhando-se com o calendário europeu do EUCCS (futuro sistema europeu de comunicações crÃticas previsto para entrar em funcionamento a partir de 2030).
O relatório dá conta de que o fim completo da rede tetra não deverá ocorrer antes de 2038, precisando que a data de desativação da rede tetra não está fixada, devendo ser objeto de decisão polÃtica ponderando critérios de risco, custo, maturidade tecnológica e prontidão operacional das entidades utilizadoras.
Os peritos defendem também que a futura rede deve permitir que as Forças Armadas coloquem capacidades ao dispor do Estado em cenários de crise, sem fusão das redes civis e militares, estando esta abordagem alinhada com os princÃpios da NATO e é compatÃvel com os objetivos do EUCCS.
Paralelamente às recomendações de médio e longo prazo, a SIRESP S.A. encontra-se já a executar, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), um conjunto de melhorias imediatas.
CMP // ZO
Lusa/fim



