
Edmonton, Canadá, 05 mai 2026 (Lusa) – Os separatistas de Alberta entregaram na segunda-feira à s autoridades as assinaturas de uma petição que deverá abrir caminho para uma votação histórica no outono sobre a possÃvel secessão desta provÃncia petrolÃfera do oeste do Canadá.
Sob os aplausos de uma multidão, que agitava enormes bandeiras azuis com as cores da provÃncia, os independentistas depositaram em frente à s instalações da Elections Canada pilhas de caixas contendo, segundo eles, as assinaturas de mais de 300.000 habitantes de Alberta favoráveis à realização de uma votação.
“Não somos como o resto do Canadá”, afirmou à AFP o lÃder do movimento, Mitch Sylvestre, que espera conseguir a primeira votação de sempre sobre a questão.
“Somos 100% conservadores e somos governados por liberais que não pensam como nós”, que acusou de quererem encerrar a indústria petrolÃfera.
Durante muito tempo marginalizado, o movimento independentista nesta região de cinco milhões de habitantes ganhou força nos últimos meses. Embora continuem a ser minoria em Alberta, segundo as sondagens, os separatistas atingem hoje um nÃvel de cerca de 30%, um recorde.
Mesmo na hipótese de este movimento vir a perder o possÃvel referendo, os lÃderes de ambos os campos afirmam que já fez mudar as linhas de frente.
Alberta aderiu à Confederação Canadiana em 1905 e o ressentimento em relação aos lÃderes polÃticos do Leste, em Ontário e no Quebeque, alimentou movimentos separatistas marginais em vários momentos do século passado.
Mas o separatismo ganhou verdadeiramente força em reação ao Programa Energético Nacional de 1980 do antigo primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, que reforçou o controlo do governo sobre a indústria petrolÃfera.
Para contrariar as crises petrolÃferas da década de 1970, o governo implementou então um controlo de preços para as vendas de petróleo no mercado interno e novos impostos, que permitiram a Ottawa obter mais receitas do petróleo de Alberta.
Desde então, o movimento enraizou-se mais profundamente, estima Michael Wagner, historiador independente e defensor de longa data da independência de Alberta, em declarações à AFP.
“Mesmo que percamos o referendo, o movimento não vai desaparecer como por magia”, afirmou, referindo-se também a uma profunda mudança em curso na provÃncia e no Canadá.
Para Tammy Kaleta, participante na concentração de segunda-feira, foi o “regime Trudeau” — tanto de Pierre Elliott como o do seu filho, Justin — que a levou a apoiar a independência.
A manifestante considerou que Alberta não tem “voz” no atual sistema parlamentar canadiano. Além disso, “este movimento inspirou-me verdadeiramente”, confessou a mulher de 64 anos.
Ex-vice-primeiro-ministro de Alberta e ativista contra a independência, Thomas Lukaszuk está preocupado com o aumento do número de separatistas.
Para os combater, criou o grupo “Alberta Forever Canadian”. Considera que o campo adversário foi encorajado pela primeira-ministra conservadora da provÃncia, Danielle Smith, que procurou estreitar os laços com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Segundo Lukaszuk, um apoio tácito de Washington, nomeadamente através de várias reuniões no Departamento de Estado, também desempenhou um papel importante.
“Os separatistas não são representantes eleitos. São simples cidadãos canadianos que vivem em Alberta e, no entanto, foram recebidos ao mais alto nÃvel da Administração norte-americana. Isso deve ser extremamente gratificante para eles”, acrescentou.
Em janeiro, o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, pareceu apoiar a ideia de uma Alberta independente ao referir-se à provÃncia como uma “parceira natural para os Estados Unidos”, como se se tratasse de um paÃs de pleno direito.
Lukaszuk reconhece, no entanto, que alguns separatistas têm queixas legÃtimas à s quais Ottawa deveria tentar dar resposta, nomeadamente a estigmatização de uma indústria petrolÃfera que continua a ser uma fonte essencial de receitas na provÃncia.
O polÃtico, que se mudou para o Canadá ainda criança com a famÃlia, fugindo da Polónia comunista, diz ter dificuldade em reconhecer a sua provÃncia. “Os vizinhos já não falam uns com os outros, os membros da mesma famÃlia já não falam uns com os outros”, afirmou, acrescentando nunca ter “visto esta provÃncia tão dividida como hoje”.
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