Maior indústria moçambicana produziu 248 toneladas de alumínio antes de fechar

Maputo, 04 mai 2026 (Lusa) – A Mozal, a maior indústria moçambicana, produziu 248 mil toneladas de alumínio nos últimos nove meses antes de encerrar, em março, menos 6% face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais consultados hoje pela Lusa.

De acordo com dados da australiana South32, que lidera aquela fundição nos arredores de Maputo, nos mesmos nove meses do ano fiscal anterior a Mozal tinha produzido 265 mil toneladas de alumínio. Já as vendas, no mesmo período, caíram 7%, de 246 para 229 mil toneladas de alumínio até março último.

A quebra é explicada pela South32, numa informação recente aos mercados, consultada pela Lusa, pela “entrada da fundição em regime de manutenção e conservação em 15 de março de 2026”.

Contudo, as vendas até aumentaram 8% no trimestre encerrado em março de 2026, precisamente pela comercialização do ‘stock’ “remanescente de produtos acabados”, face ao encerramento previsto. Ainda assim, acrescenta-se na informação, a Mozal entrou em regime de manutenção e conservação “superando a previsão de produção em 3%”.

A South32 confirmou em 16 de março que a Mozal, maior indústria moçambicana, está em regime de manutenção e conservação desde o dia anterior, prevendo gastar 52,4 milhões de euros com a suspensão da fundição, incluindo no despedimento dos trabalhadores.

“Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom [sul-africana que compra energia a Moçambique e a vendia à fundição] e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal para além de março de 2026”, disse o diretor executivo da South32 (que detém 63,7% da fundição), Graham Kerr.

Com o regime atual da fundição, uma das maiores em África – com mais 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos -, sem produção, a South32 prevê gastar 60 milhões de dólares (52,4 milhões de euros), incluindo na “rescisão de contratos”, custando só a manutenção, anualmente, cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros).

“Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulhamo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação”, acrescentou Kerr, na mesma informação da South32.

A South32 considerou anteriormente “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, justificando assim o seu encerramento, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.

Numa chamada anterior com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa teve acesso e que envolvia a apresentação dos últimos resultados da South32, o diretor executivo, explicou que a “única oferta formal” para fornecimento de energia pela elétrica sul-africana Eskom foi de quase 100 dólares por megawatt-hora (MWh), quando, “fora da China, menos de 1%” das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh.

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