Moçambicana Frelimo quer união africana face a ataques a imigrantes na África do Sul

Maputo, 02 mai 2026 (Lusa) — A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, defendeu hoje a união, solidariedade e respeito entre os povos africanos face aos ataques a imigrantes na África do Sul, que agridem a dignidade humana e integração regional.

“A Frelimo reafirma que a unidade africana está acima de tudo. A perseguição a estrangeiros na África do Sul agride os valores da dignidade humana e da integração regional”, lê-se numa informação divulgada hoje na conta oficial do partido, na rede social Facebook.

A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.

A formação política, no poder em Moçambique desde a independência, em 1975, afirma que os ataques xenófobos “são inaceitáveis” e devem ser condenados por todos os africanos, pois ferem os princípios de solidariedade e unidade do continente.

“A Frelimo condena firmemente os ataques xenófobos na África do Sul, defendendo o fim da violência contra estrangeiros e apelando à união, solidariedade e respeito entre os povos africanos, em nome da dignidade humana e da integração do continente”, refere ainda.

 A ministra do Trabalho de Moçambique considerou “bastante lamentável” a situação de ataques a imigrantes na África do Sul e disse esperar que se resolva “muito rapidamente”.

“É uma situação lamentável, bastante lamentável e estamos todos muito tristes com o que temos estado a assistir”, disse Ivete Alane, ministra do Trabalho, Género e Ação Social de Moçambique, citada hoje pela comunicação social, garantindo que não há notícias oficiais de trabalhadores de Moçambique naquele país afetados.

Na quinta-feira, a embaixadora moçambicana na África do Sul, Maria Gustavo, pediu aos moçambicanos calma face à situação.

A responsável apelou aos moçambicanos que tenham sido vítimas da situação que contactem uma representação consular nacional próxima para “esclarecer o que terá acontecido”, que se distanciem das manifestações em curso e de locais de risco e que acompanhem as informações partilhadas pelos líderes comunitários naquele país ou comuniquem diretamente à embaixada moçambicana, caso haja problemas.

O Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), líder da oposição, pediu, no mesmo dia, ações conjuntas entre os governos moçambicano e sul-africano, apontando falhas na ação consular e diplomática.

Na quarta-feira, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) criticou o silêncio do executivo e propôs a criação de uma comissão parlamentar para abordar o problema com as autoridades sul-africanas.

Também na terça-feira, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou a uma intervenção urgente junto do Governo sul-africano, manifestando preocupação com a segurança dos moçambicanos naquele país.

A África do Sul tem registado episódios recorrentes de violência xenófoba, com destaque para os incidentes de 2019, que causaram a morte de pelo menos 18 estrangeiros, segundo a Human Rights Watch.

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