
Londres, 02 mai 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro britânico declarou à BBC que a proibição de manifestações pró-Palestina pode justificar-se em certos casos, nomeadamente quando são entoados slogans a apelar à intifada, na sequência do ataque antissemita ocorrido em Londres.
De acordo com Keir Starmer, numa entrevista divulgada hoje, que se “passou para um nível completamente diferente” com este ataque com faca considerado terrorista pela polícia, que deixou na quarta-feira dois feridos no bairro londrino de Golders Green, onde vive uma importante comunidade judaica.
Keir Starmer foi vaiado, na quinta-feira, durante a visita às instalações de um serviço judaico de ambulâncias, com alguns residentes a criticá-lo por não fazer o suficiente para proteger esta comunidade e a denunciar a realização de marchas de apoio aos palestinianos nas grandes cidades britânicas.
As manifestações tiveram início com a mais recente guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023, e reuniram dezenas de milhares de pessoas em Londres.
Na entrevista à BBC, o primeiro-ministro afirmou que “muitas pessoas da comunidade judaica” se queixaram do “caráter repetitivo” destas marchas.
O dirigente mostrou-se favorável a uma maior regulamentação dos ‘slogans’ e acrescentou que “há casos” em que uma proibição poderia ser necessária.
“Sou um grande defensor da liberdade de expressão e das manifestações pacíficas. Mas quando se ouvem slogans como ‘Globalizemos a intifada’, isso é totalmente inaceitável”, e “tem de haver uma ação mais firme”, considerou Starmer.
O chefe do executivo britânico indicou que decorrem discussões “há já algum tempo” com a polícia sobre este assunto e que pretende analisar que “poderes adicionais” o Governo poderia adotar.
Em dezembro, as polícias de Londres e Manchester anunciaram a intenção de deter qualquer pessoa que entoasse o slogan “Globalizemos a intifada”, uma referência às revoltas palestinianas contra o exército israelita em 1987-1993 e, posteriormente, no início dos anos 2000.
Este slogan é “considerado extremamente perigoso pela comunidade judaica”, sublinhou Keir Starmer.
O Reino Unido elevou na quinta-feira o nível de ameaça terrorista para grave, referindo-se tanto ao ataque antissemita de Golders Green como a um aumento da “ameaça islamista e de extrema-direita”.
A polícia, por seu lado, indicou que iria analisar cuidadosamente todos os apelos a futuras manifestações.
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