Cabo Verde/Eleições: MpD lança programa para “transformar crescimento em rendimento”

Praia, 01 mai 2026 (Lusa) — O Movimento para a Democracia (MpD) apresentou hoje o programa eleitoral para as legislativas de 17 de maio, em Cabo Verde, no qual assume como compromisso prioritário “transformar crescimento em rendimento” para as famílias.

“Hoje, Cabo Verde está mais forte, mas os cabo-verdianos são, com razão, mais exigentes. A próxima etapa exige uma nova ambição: transformar crescimento em rendimento, estabilidade em oportunidades e progresso em qualidade de vida”, lê-se na síntese do programa “Cabo Verde para a Frente”, apresentado aos jornalistas na cidade da Praia, capital.

Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro que procura um terceiro mandato, explicou: o crescimento já se tem refletido no rendimento nos dois mandatos realizados, mas “é preciso reforçar”.

“Não há forma de não ligar o crescimento económico ao rendimento”, sublinhou, refutando “uma tese que se repete sistematicamente, que não tem base de sustentação”, de que o Governo apresenta indicadores de crescimento que depois não se notam no quotidiano.

Tal como a contração durante a pandemia de covid-19 “provocou mais pobreza”, a expansão trouxe recuperação económica e “os países que crescem são os que têm mais rendimento”, disse.

O crescimento económico no arquipélago não está ancorado apenas no consumo, reflete “mais empresas a investir”, a “gerar emprego” e a contribuir com mais recursos para o Estado, acrescentou.

Ulisses Correia e Silva detalhou o programa, que passa a estar disponível na Internet: entre as metas estão o aumento do salário médio em cerca de 30% ao longo da legislatura, atualizar o salário mínimo para 25.000 escudos (226,73 euros), universalizar o ensino pré-escolar e reduzir o imposto para empresas (IRPC) para 15% até 2031.

Tudo assente no crescimento da economia que o MpD apresenta como bandeira dos últimos 10 anos de governação, apesar dos desafios, referiu.

O candidato retomou a ideia do comício de abertura de campanha, na noite de quinta-feira, de que o Governo venceu adversidades (como uma seca severa ou a pandemia) que obrigaram a “grandes reajustamentos”.

Agora, pede “mais um mandato para consolidar” os ganhos, porque “os ciclos de desenvolvimento são mais longos que os ciclos políticos” e o objetivo é Cabo Verde “atingir o patamar de país de rendimento alto, com impacto na qualidade de vida”, crescendo mais do que 7% ao ano “de uma forma consistente”.

Em 2025, o Banco Mundial elevou a classificação de Cabo Verde de país de rendimento médio-baixo para médio-alto, refletindo um aumento do rendimento per capita.

Entre outras metas, o partido anuncia ainda um banco de fomento empresarial e uma aposta em agricultura inteligente com maior acesso à água, energia e tecnologia.

O programa antecipa ainda a inversão em curso da pirâmide etária: “daqui a 15 anos seremos um país menos jovem. Isso vai exigir mais cuidados, mais acesso à segurança social e à assistência médica e medicamentosa”, referiu.

O líder do MpD prevê formalizar a profissão de cuidador, “cada vez mais necessária para a população idosa, doentes crónicos e pessoas com deficiência” e uma forma de “gerar emprego”.

Ulisses Correia e Silva dedicou ainda parte da intervenção à democracia, “o maior ativo que o país tem”, dizendo que Cabo Verde não tem de “importar as más modas”, referindo-se a um “populismo” que, segundo disse, “já está no interior” do país.

As eleições legislativas no arquipélago estão marcadas para 17 de maio.

O MpD e o PAICV alternam-se no poder em Cabo Verde desde 1991 e detêm atualmente 38 e 30 deputados na Assembleia Nacional, respetivamente, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) tem quatro e ambiciona quebrar a tradição de maiorias absolutas.

Sem representação parlamentar, o Partido Popular (PP) e o Pessoas Trabalho e Solidariedade (PTS) concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), foram validadas 48 listas de deputados de cinco partidos.

A ilha de Santiago elege 33 dos 72 deputados, cabendo outros 33 às restantes ilhas e seis à diáspora.

O número de eleitores deverá crescer cerca de 7% face a 2021, para cerca de 419.700 inscritos.

LFO // CFF

Lusa/Fim