PM britânico vaiado durante visita a bairro judeu após ataque antissemita

Londres, 30 abr 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, manifestou compreensão pelas críticas ao Governo pela comunidade judaica após ter sido vaiado hoje em Londres durante uma visita ao bairro onde se registou um ataque antissemita na quarta-feira.

Durante uma visita ao bairro de Golders Green, onde dois homens de 34 e 76 anos foram esfaqueados, Starmer foi recebido por um protesto com dezenas de pessoas. 

Alguns gritaram “Keir Starmer, inimigo dos judeus” e “traidor” quando a comitiva de carros passou.

Numa conferência de imprensa em Downing Street (residência oficial), realizada depois da visita, Starmer disse compreender “perfeitamente os elevados níveis de ansiedade e preocupação que se refletem nas várias reações dos últimos dois dias”. 

“Essa ansiedade já existe há muito tempo. E o terrível ataque terrorista de ontem [quarta-feira] veio agravá-la”, afirmou.

No entanto, garantiu que o Governo está a tomar medidas, tendo convocado duas reuniões de emergência, uma para coordenar a resposta em termos de segurança e outra para agilizar a justiça criminal “de modo a transmitir confiança às pessoas”. 

Hoje foi anunciado um novo pacote de 25 milhões de libras (29 milhões de euros) para reforçar a segurança junto a sinagogas, escolas e centros comunitários. 

Starmer revelou estar a avaliar medidas adicionais relativamente a manifestações pró-palestinianas, nomeadamente cânticos e cartazes ou faixas que líderes judeus consideram antissemitas e incitam à violência.

“É claro que defendemos a liberdade de expressão e o direito ao protesto pacífico neste país. Mas ao marchar com pessoas que exibem imagens de parapentes [um dos métodos utilizados pelo grupo radical Hamas nos ataques de 07 de outubro de 2023] sem o denunciar, está-se a venerar o homicídio de judeus. Estar ao lado de pessoas que dizem ‘globalizar a Intifada’ é a apelar ao terrorismo contra os judeus. E as pessoas que usam essa frase devem ser processadas. É racismo, racismo extremo”, argumentou.

O executivo britânico vai ainda acelerar a introdução de legislação “para fazer face à ameaça que representam países como o Irão”.

“Porque sabemos, com toda a certeza, que pretendem fazer mal aos judeus britânicos”, acrescentou Starmer.

Em declarações à estação pública BBC, Shloime Rand, a vítima de 34 anos do ataque de quarta-feira, alegou que o Governo não tem feito o suficiente para combater o antissemitismo. 

“Definitivamente não. Talvez a partir de agora o Governo se organize e comece a lidar com o problema de forma adequada”, afirmou, sublinhando que palavras “não são suficientes”.

“Quando se chega a um ponto em que a vida das pessoas está em perigo (…). Tenho todos os meus amigos e conhecidos a dizer-me que têm medo de andar na rua, e olham à sua volta, sem saber o que se passa. As pessoas estão agora com medo e isto atingiu um novo nível”, lamentou. 

A polícia deteve um homem de 45 anos sob suspeita de tentativa de homicídio e classificou o ataque como um ato de terrorismo.

O suspeito, cujo nome não foi divulgado oficialmente, embora a comunicação social britânica já o tenha feito, nasceu na Somália mas tem nacionalidade britânica e “um historial de violência grave e problemas de saúde mental”.

As autoridades revelaram também que o suspeito foi referido em 2020 para o programa Prevent de combate à radicalização, mas que o processo foi encerrado no mesmo ano.

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