
Ancara, 30 abr 2026 (Lusa) — As autoridades municipais de Istambul, na Turquia, proibiram hoje manifestações do Dia do Trabalhador a 01 de maio em quatro distritos e vai manter encerrada a Praça Taksim, símbolo dos movimentos de esquerda no país.
O governo local, responsável pelas forças de segurança, anunciou que os protestos, marchas e eventos públicos estarão proibidos durante todo o dia em quatro distritos administrativos, incluindo Beyoglu, onde se situa a Praça Taksim.
A Praça Taksim é um local simbólico das comemorações do Dia do Trabalhador desde 1977, ano em que a data ficou conhecida como o “Primeiro de Maio Sangrento”, quando foram mortas 34 pessoas.
Nesse dia, homens armados não identificados dispararam sobre a multidão a partir de um hotel com vista para a praça, causando o pânico: a maioria das vítimas morreu esmagada ou asfixiada, e pelo menos 130 pessoas ficaram feridas.
Em 1980, depois de um golpe militar e num contexto de lei marcial, o Governo proibiu as manifestações na Praça Taksim, uma proibição que, durante décadas, alimentou as reivindicações da esquerda para recuperar este espaço simbólico.
Hoje, um grupo de pessoas depositou ali flores, em homenagem às vítimas de 1977, apesar de a polícia ter impedido, há três dias, um evento para assinalar a data, tendo detido 46 pessoas.
Entre 2010 e 2012, a Praça Taksim voltou a acolher grandes celebrações do Dia do Trabalhador, contando com a participação de centenas de milhares de pessoas.
Em 2013, no entanto, o Governo turco voltou a proibir os ajuntamentos na praça, o que levou as tentativas anuais de realizar as manifestações a resultar em detenções e grandes mobilizações policiais.
As autoridades indicaram que os pedidos para a realização de eventos noutras duas praças foram aprovados este ano, alertando que as aglomerações fora das áreas designadas não serão toleradas.
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