Maior jornal de Macau critica Governo pelo fim de conferências de imprensa sobre crime

Macau, China, 30 abr 2026 (Lusa) — O maior diário em língua chinesa de Macau criticou hoje as autoridades por “fecharem as portas ao público”, depois de o Governo ter terminado as conferências de imprensa trimestrais sobre relatórios de criminalidade.

O relatório de criminalidade 2025 na região semi-autónoma chinesa foi divulgado há dois dias, apenas na página do Gabinete do Secretário para a Segurança, Chan Tsz King, na Internet, e sem a realização da habitual conferência de imprensa.

Em comunicado, o gabinete confirmou que irá deixar de realizar conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”.

A divulgação regular dos dados estatísticos criminais vai passar a ser divulgado por “meios electrónicos” e apenas presencialmente quando “necessário”.

Na edição de hoje do jornal Macao Daily News, um jornalista escreveu uma opinião, em que considerou que a “verdadeira transparência da informação não “significa simplesmente ‘colocar dados online de forma transparente’ mas “ter coragem para enfrentar as críticas e aceitar ativamente a supervisão pública”.

Fundado em 1958 com o apoio do Partido Comunista Chinês, o Macao Daily News possui a maior tiragem do território, representando de 70% a 80% da circulação de jornais da cidade.

O mesmo jornalista afirmou que o ajuste “pode fechar uma das poucas janelas de diálogo que ainda restam” entre as autoridades do território e o público.

“Quando um Governo escolhe fechar os canais de comunicação com os ‘media’ e reduzir a interação direta com os jornalistas, pode parecer que evita o incómodo de lidar com perguntas difíceis, mas ao fazê-lo, também fecha voluntariamente a porta para resolver mal-entendidos e manter a credibilidade pública”, sublinhou o jornalista.

Na mesma opinião, o jornalista aponta que, no passado, as conferências de imprensa “não eram apenas ocasiões para divulgar estatísticas criminais, mas também canis importantes através dos quais os cidadãos podiam comunicar com as autoridades através dos ‘media'”

“Durante as conferências, os responsáveis tinham de responder aos jornalistas em frente às câmaras, mesmo que as suas explicações nem sempre fossem satisfatórias, e pelo menos havia um diálogo aberto”, alertou o jornalista.

Para o mesmo autor “por mais detalhados que sejam os dados ou bem organizadas que estejam as tabelas” fornecidas ‘online’, “sem as perguntas de seguimento dos jornalistas, sem as respostas e esclarecimentos imediatos dos responsáveis, e sem um debate interativo em tempo real” deixa de ser possível informar corretamente o público.

JW // JMC

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