
Lisboa, 30 abr 2026 (Lusa) — O filme “The Loneliest Man in Town”, de Tizza Covi e Rainer Frimmel, abre hoje o festival de cinema IndieLisboa, numa edição que atravessa “fronteiras de género” e revela “novas vozes em Portugal”.
A 23.ª edição do Festival Internacional de Cinema IndieLisboa começa no cinema São Jorge, onde estará a realizadora Tizza Covi para apresentar um filme sobre um músico à beira do esquecimento, ameaçado pela demolição da casa e das memórias nela contida.
“The Loneliest Man in Town”, já exibido também no Festival de Berlim, conta a história do músico de blues Al Cook que nasceu em 1945 em Viena com o nome de Alois Koc, refere o IndieLisboa.
As secções competitivas contam com filmes que “atravessam fronteiras de género, forma, geografia e também do corpo e do olhar, numa busca de diálogo — sobre o mundo e com o mundo”, refere a organização.
Na competição portuguesa vão estar 29 filmes a concurso, dos quais oito são longas-metragens e 21 são curtas, “com um espectro cada vez mais ambicioso de nacionalidades variadas e, ao mesmo tempo, um espaço para a consagração de autores já estabelecidos”.
Entre eles contam-se, por exemplo, as longas-metragens “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “A Providência e a Guitarra”, de João Nicolau, e “Fordlândia Panacea”, de Susana de Sousa Dias.
Em competição vão estar ainda “Dois e um gato”, a título póstumo, de Patrícia Saramago, que morreu em 2025, a animação “A culpa é da água”, de Ana Leonor Guia, Marta Quintanito Roberto, Ruben Pinto e Tiago Magalhães, sobre Gisberta Salce, mulher trans brasileira assassinada em 2006, no Porto, e “Onde nascem os pirilampos”, de Clara Vieira, selecionado este ano para Cannes.
Fora de competição, mas dentro das propostas de cinema português, apresenta-se “Auto da Casa”, filme de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, sobre o Teatro Nacional D. Maria II, assim como “Mulheres de Abril”, de Raquel Freire, e “O Velho Salazar”, de João Botelho.
O IndieLisboa volta a acolher dezenas de filmes, como “Rose”, de Markus Schleinzer e protagonizado por Sandra Huller,”Le cris de Gardes”, um regresso de Claire Denis ao festival com uma adaptação da peça “Combate de Negro e de Cães”, de Bernard-Marie Koltès, e “At Work”, de Valérie Donzelli.
Há ainda uma retrospetiva, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, dedicada ao ‘mockumentary’, ou o falso documentário, com filmes de realizadores como Rob Reiner, Woody Allen, Ruben Ostlund, Sergio Oskman e Damien Houser.
Na secção IndieMusic vão estar, entre outros, “Quem tem medo de Zurita de Oliveira?”, documentário de Francisca Marvão sobre uma das mulheres pioneiras do rock português, “Rua (Isto não é um filme, é um cometa)”, de João Bigos Campaniço, em torno do músico vanguardista Vítor Rua, e “Percursos Alternativos – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90”, de Rui Mota Pinto.
Destaque ainda para a secção Boca do Inferno, “casa da bizarria, dos filmes-OVNI, dos universos invulgares”, contando, por exemplo, com “Dracula”, do realizador romeno Radu Jude, com a narrativa a decorrer “numa Transilvânia contemporânea com pescoços mordidos e greves de trabalhadores”.
O encerramento do IndieLisboa, a 10 de maio, será com a estreia nacional de “The History of Concrete”, de John Wilson, que faz do betão a matéria-prima da sua primeira longa-metragem documental.
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