Coreia do Norte enfrenta “grave seca” em “grande parte do território”

Seul, 30 abr 2026 (Lusa) – A Coreia do Norte enfrenta este ano “uma seca invulgar” e grave “em grande parte” do país, informou hoje a agência de notícias oficial KCNA.

“Uma seca invulgar persiste desde há pouco em grande parte do território, um fenómeno raramente observado nos anos anteriores”, indicou a agência de notícias.

As catástrofes naturais têm geralmente um impacto ainda maior neste país isolado, uma vez que as infraestruturas e economia são frágeis.

“Os trabalhadores de diferentes regiões estão a concentrar todos os seus esforços na proteção das culturas do início da época contra a seca”, acrescentou.

A relatora especial das Nações Unidas para os direitos humanos na Coreia do Norte, Elizabeth Salmon, declarou em fevereiro que a escassez alimentar já constituía uma grande preocupação no país.

“As cidades e regiões estão a proceder de forma responsável à reparação das comportas dos reservatórios e cursos de água, tendo em conta a redução do abastecimento de água causada pela grave seca”, detalhou a KCNA.

Estão também a ser implementadas “medidas técnicas destinadas a minimizar os danos causados pela seca”, reforçando a resistência à seca do trigo e da cevada e tentando assegurar um crescimento estável das culturas no início da época, acrescenta a agência.

A Coreia do Sul registou o verão mais quente de sempre em 2025. Tanto o Norte como o Sul tiveram também o mês de junho mais quente de sempre.

Ainda no que diz respeito à Coreia do Sul, o país sofreu uma seca prolongada no ano passado que afetou, nomeadamente, a cidade costeira de Gangneung (este). Durante esse período, as autoridades decidiram impor restrições de água, nomeadamente cortando 75% do abastecimento doméstico em toda a cidade.

As alterações climáticas tornam as ondas de calor mais frequentes e intensas, e os especialistas estimam que o fenómeno climático El Niño deverá regressar este ano.

Este fenómeno pode provocar um aumento das temperaturas à superfície e secas, nomeadamente no centro e no leste do Pacífico equatorial.

A Coreia do Norte sofre há muito tempo de escassez de eletricidade e, segundo os especialistas, a maioria dos habitantes não dispõe de ar condicionado.

O país foi atingido por graves inundações nas regiões no norte, próximas da China em 2024, tendo os meios de comunicação sul-coreanos relatado um número de mortos e desaparecidos no Norte que poderia chegar às 1.500 pessoas, estimativas então rejeitadas por Pyongyang.

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