
Sydney, 30 abr 2026 (Lusa) – A comissão de inquérito formada após o ataque em dezembro na praia de Bondi, em Sydney, recomendou hoje que a Austrália reveja o funcionamento das unidades antiterroristas e reforce a segurança durante eventos da comunidade judaica.
As recomendações fazem parte das conclusões apresentadas num relatório preliminar da juÃza aposentada Virginia Bell, que preside à comissão real de inquérito sobre o ataque que causou 15 mortos durante uma concentração para a festa judaica de Hanukkah.
A reformulação das unidades de combate ao terrorismo “deverá incidir sobre as estruturas de comando, a integração das equipas, o acesso aos sistemas, bem como as modalidades de partilha de informações”, afirma-se no documento.
A polÃcia deverá considerar o reforço dos dispositivos de segurança durante as celebrações judaicas “com dimensão pública”, acrescenta-se.
Naveed Akram e o pai, Sajid Akram, morto pela polÃcia durante o ataque, são acusados de terem disparado durante cerca de dez minutos, em 14 de dezembro, contra uma multidão reunida para celebrar a festa judaica de Hanukkah, causando 15 mortos.
Naveed Akram foi acusado de terrorismo e de 15 homicÃdios pelo ataque mais mortÃfero na Austrália das últimas três décadas.
De acordo com as autoridades, o atentado foi inspirado pela ideologia do grupo fundamentalista Estado Islâmico (EI), mas os dois homens não receberam ajuda externa e não faziam parte de organizações terroristas.
Naveed Akram tinha sido alvo de uma investigação dos serviços secretos australianos em 2019 devido às ligações ao grupo EI.
A comissão real de inquérito sobre o ataque de Bondi, a comissão pública de mais alto nÃvel na Austrália, foi lançada em janeiro pelo Governo, face à s crÃticas da comunidade judaica.
As famÃlias das vÃtimas escreveram em dezembro uma carta ao primeiro-ministro, Anthony Albanese, a pedir respostas e uma investigação a nÃvel federal.
Perante o choque provocado pelo pior massacre na Austrália em mais de 30 anos, o parlamento endureceu em janeiro a legislação relativa a crimes motivados pelo ódio e armas de fogo.
A última comissão real federal data de 2022 e tinha por missão investigar um vasto escândalo de pedidos de cobrança de dÃvidas fraudulentas.
Outras comissões debruçaram-se sobre disfunções, na sequência de casos de pedofilia ou de proteção ambiental.
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