
Lisboa, 29 abr 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro considerou hoje que o impacto da última greve geral até “relegitimou a vontade de o país ser mais produtivo”, dizendo que o Governo “aguardará serenamente” pela posição das centrais sindicais quanto a uma eventual nova paralisação.
O tema de uma eventual nova greve geral foi introduzido na fase final do debate quinzenal pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que disse não entender razões para essa paralisação, assinalando ainda que esta poderá ser convocada para “a véspera de um feriado a meio da semana”.
Na resposta, Luís Montenegro disse que “aguardará serenamente” por essa decisão e assegurou que o Governo não coloca em causa “o exercício legítimo do direito à greve como forma de apresentação de uma contestação”.
No entanto, defendeu que, muitas vezes, os resultados que quem convoca a greve pretende e a leitura da “globalidade da sociedade” sobre o seu impacto são diferentes.
“Os resultados das greves, nomeadamente da última greve geral, foi largamente, mas muito largamente, excedido do ponto de vista especulativo pelos partidos que a secundaram”, disse.
Montenegro lembrou os que, no parlamento, disseram que o Governo perdeu legitimidade para mudar as leis laborais na rua por causa dessa greve geral realizada a 11 de dezembro, para defender o contrário.
“É caso para dizer que, se fosse por isso, nós tínhamos visto era a relegitimação dessa vontade de sermos um país mais produtivo, de sermos um país mais competitivo”, disse.
E acrescentou, para finalizar as mais de duas horas de debate parlamentar: “Nós não vamos, não vamos mesmo desistir de ter um país mais rico, um país que sendo mais rico pode ser mais justo. Um país que sendo mais rico pode garantir uma oportunidade a todos. E um país que sendo mais rico pode garantir uma oportunidade àqueles que mais precisam”, disse.
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