Ucrânia: EUA disponibilizam até 100 milhões de dólares para restaurar proteção de Chernobyl

Washington, 29 abr 2026 (Lusa) – Os Estados Unidos anunciaram hoje que disponibilizarão “até 100 milhões de dólares (85,4 milhões de euros)” para restaurar a cúpula do sarcófago de Chernobyl danificada por um drone russo, instando os parceiros do G7 a seguirem-nos.

Em fevereiro de 2025, a estrutura de aço instalada em 2016 para proteger o sarcófago que isola o reator nuclear situado na atual Ucrânia (antiga União Soviética) que explodiu em abril de 1986 foi perfurada por um drone russo.

França, que este ano preside ao grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7), indicou em março que o custo da reparação seria de “cerca de 500 milhões de euros”.

“Sem obras de reparação, a estrutura já não consegue assegurar uma proteção suficiente, o que faz pairar a ameaça de uma perigosa fuga de matéria altamente radioativa na Europa”, declarou o Departamento de Estado norte-americano num comunicado.

“Apelamos aos nossos parceiros europeus do G7 para que sigam este exemplo e assumam compromissos financeiros substanciais para partilhar o encargo dessas indispensáveis reparações”, acrescentou.

Num relatório divulgado em meados de abril deste ano, a organização não-governamental (ONG) ambientalista Greenpeace explicou que a nova estrutura de contenção não pôde ser “totalmente restaurada”, apesar das obras de reparação.

Segundo a ONG, “isso aumenta o risco de fugas radioativas para o ambiente, particularmente em caso de desabamento” do antigo sarcófago interno.

O que restou do reator 4 da central nuclear está envolvido por uma estrutura interna de aço e betão, chamada sarcófago e construída à pressa após o desastre de 1986, e por uma estrutura externa moderna, chamada nova estrutura de contenção.

A Ucrânia acusou repetidamente a Rússia de atacar as instalações de Chernobyl desde o início da invasão do país, em fevereiro de 2022, e de as ter atingido em 2025, danificando a estrutura que protege o sarcófago onde se encontram depositadas centenas de toneladas de resíduos radioativos.

ANC // SCA

Lusa/Fim