Brasil reinjeta gás natural 30 pontos percentuais acima da média mundial

Brasília, 28 abr 2026 (Lusa) – O Brasil tem um nível de reinjeção de gás natural em cerca de 30 pontos percentuais acima da média mundial, disse hoje o Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil, Renato Dutra.

Em 2025, explicou, o país produziu quase 180 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural nacional, sendo que, desse total, 55% é reinjetado nos poços de extração. 

“A média mundial gira ao redor de 25% de reinjeção, ou seja, em tese, sem entrar em detalhes diminutos de números, nós temos reinjetado 30 pontos percentuais acima da média mundial”, declarou.

No Brasil, a estatal Petrobras é o agente dominante na extração de gás natural e também da infraestrutura de escoamento do insumo. 

O programa de desconcentração do mercado de gás, chamado de ‘gas release’, atualmente está em debate no órgão regulador do país, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Enquanto isso, agentes do mercado de óleo e gás concorrentes da Petrobras articulam-se junto do executivo e no Congresso Nacional brasileiro para que o programa seja implementado.

Para além da concorrência, o Brasil enfrenta ainda problemas estruturais para escoamento da produção do gás, o que é um dos entraves à expansão do setor no país. 

Para Renato Dutra, o Ministério de Minas e Energia, órgão para o qual trabalha, entende que é possível o país ter índices menores de reinclusão do gás natural, por entender que isso não afeta a exploração de petróleo nos poços de exploração.

“A gente tem a convicção de que sim, é possível reduzir [os 30 pontos percentuais]”, sublinhou.

Na prática, o Ministério de Minas e Energia entende que a descentralização desse mercado no país diminuirá os preços do insumo e aumentará a oferta, explicou.  

“E essa oferta, pelo número, já representa uma grande contribuição para a oferta no mercado nacional desse gás. Se ele deixar de ser injetado, num número economicamente justificado e tecnicamente viável”, completou sem detalhar qual a percentagem de redução seria factível no país. 

O Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis explicou, no entanto, que essa definição percentual passa pela ação regulatória da ANP. 

Renato Dutra falava hoje à imprensa após participar do evento “Gas Week 2026”, da Agência Eixos, em Brasília, com vários empresários do setor de óleo e gás. 

 

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