
Lisboa, 28 abr 2026 (Lusa) — O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, defendeu hoje que apesar da tolerância étnica e religiosa ser um facto no país, o discurso de ódio e a instabilidade político-governativa “podem abrir espaços para radicalização”.
O responsável falava hoje durante a conferência: “Prevenção do Radicalismo e do Extremismo Violento na Guiné-Bissau” organizada, num hotel de Bissau, pela Liga dos Direitos Humanos e o instituto português Marquês de Valle Flor.
O encontro, transmitido pelos órgãos de comunicação social guineenses, juntou diplomatas, entre os quais o embaixador de Portugal em Bissau, Miguel Silvestre, representantes de organismos internacionais, líderes religiosos e organizações locais que atuam na defesa dos Direitos Humanos.
No seu discurso, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos destacou que apesar de não existirem, neste momento, casos concretos de radicalismo e extremismo violento, o país enfrenta desafios que devem ser levados em conta.
“Apesar da nossa rica tradição de tolerância étnica e religiosa, enfrentámos desafios internos que não podem ser ignorados”, disse Bubacar Turé apontando para a instabilidade político-governativa e o aumento do discurso de ódio.
O dirigente da Liga dos Direitos Humanos notou que esses fenómenos “podem fragilizar a coesão social e abrir espaços a dinâmicas de radicalização” que, disse, podem ainda ser aceleradas pela “crise de confiança” dos cidadãos nas instituições.
Bubacar Turé considerou que a Guiné-Bissau precisa de um “dialogo sério, franco e inclusivo” para promover a reconquista da confiança e de prevenção em vez de respostas securitárias.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos apontou para as estatísticas para afirmar que o radicalismo e extremismo violento causaram a morte, em 2025, a cerca de 23.900 pessoas em várias regiões da África.
Bubacar Turé citou o caso concreto do Mali para condenar os recentes ataques de grupos jihadistas que, disse, causaram a morte de várias pessoas entre as quais o ministro da Defesa daquele país, Sadio Camará.
Turé aproveitou para expressar a sua condenação aos ataques de jihadistas no Mali e ainda para apresentar condolências às autoridades pela morte nos ataques do ministro da Defesa maliano, Sadio Camará.
No mesmo evento, o embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, Miguel Silvestre salientou que apesar de a Guiné-Bissau ser “um país marcado notavelmente pela resiliência sociocultural e pelo secretismo religioso”, a tolerância deve ser protegida “e não ser dado como dado garantido”.
*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***
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