Fitch melhora perspetiva de Cabo Verde para positiva e mantém rating em ‘B’

Praia, 28 abr 2026 (Lusa) — A agência de notação financeira Fitch melhorou hoje a perspetiva de classificação de Cabo Verde de estável para positiva e manteve a avaliação no nível ‘B’.

“A revisão da perspetiva reflete a continuação da consolidação orçamental, apoiada por reformas de mobilização de receitas”, que deverá permitir uma redução rápida da dívida pública, indicou a Fitch, em comunicado. 

A agência apontou ainda para “uma perspetiva de crescimento robusta, beneficiando da força do setor do turismo”, que continua a apoiar a posição externa do país.

“Cabo Verde pode beneficiar das tensões geopolíticas no Médio Oriente, com turistas europeus a procurarem viagens alternativas mais curtas, seguras e acessíveis”, no entanto, “um conflito prolongado” ou problemas do fornecimento de produtos petrolíferos “podem limitar os voos e conter o crescimento”.

Na avaliação global, a Fitch considera que Cabo Verde mantém” indicadores de governação fortes face a países comparáveis, uma perspetiva de crescimento robusta, consolidação orçamental sustentada e reservas internacionais adequadas”.

Do lado negativo, “há níveis ainda elevados de dívida pública e externa, embora em queda, responsabilidades contingentes associadas a empresas públicas e vulnerabilidades externas persistentes”, acrescentou.

Sobre as eleições legislativas (17 de maio) e presidenciais (15 de novembro) deste ano, a Fitch não antevê “mudanças significativas no crescimento ou nas trajetórias fiscais em caso de transição política, mas o risco pode decorrer de uma possível reversão das reformas setoriais das empresas públicas”.

O comunicado de hoje resume vários números relativos a indicadores e previsões macroeconómicas do arquipélago.

Segundo a Fitch, a dívida pública de Cabo Verde deverá descer para cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, depois de 100% em 2025 e de um pico de 147% em 2021.

A Fitch prevê que o saldo orçamental do Governo central tenha passado para um excedente de 1,3% do PIB em 2025, depois de um défice de 0,7% em 2024, devido ao aumento das receitas, que compensou a subida da despesa.

A subida da receita foi explicada por uma taxa única de concessão aeroportuária e pelo aumento da receita fiscal em 1,8 pontos percentuais do PIB, resultado do alargamento da base tributária, da redução de benefícios fiscais e da melhoria do cumprimento fiscal.

A agência espera que o saldo orçamental do Governo central seja, em média, de 0,9% do PIB em 2026 e 2027, apoiado pela introdução de uma taxa turística sobre chegadas e por uma reforma do IVA.

A Fitch estima que o crescimento real do PIB cabo-verdiano se mantenha robusto, com uma média de 5,4% em 2026 e 2027, depois de 6,3% em 2025.

A agência espera também que o excedente da balança corrente aumente em 2026, depois de ter atingido 3,6% em 2025, devido ao crescimento das receitas do turismo.

As reservas internacionais subiram para o equivalente a 8,4 meses de pagamentos externos correntes em 2025, face a 5,8 meses em 2024, devendo atingir, em média, 10,7 meses em 2026 e 2027.

A agência identifica as empresas públicas como o principal risco para as finanças públicas, referindo que a dívida destas entidades correspondia a quase 48% do PIB no final de 2024, dos quais cerca de 8% do PIB com garantia do Estado.

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