MAAT inaugura exposições assentes na Coleção Fundação EDP e na memória da Guerra Colonial

Lisboa, 28 abr 2026 (Lusa) — Uma exposição que alarga o percurso da história da arte contemporânea portuguesa, com mais 60 obras da coleção da Fundação EDP, e um projeto sobre a Guerra Colonial são inaugurados hoje no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa.

Trata-se do segundo momento da exposição “Turn around. Um olhar sobre a Coleção de Arte Fundação EDP”, que apresenta uma das mais amplas mostras de uma coleção institucional dedicada à arte contemporânea em Portugal, abrangendo obras desde a década de 1960 até à atualidade.

Distribuída por várias salas do museu, a mostra reúne perto de 90 obras de 58 artistas, num segundo momento expositivo que acrescenta mais de 60 peças ao núcleo inicial inaugurado em fevereiro, reforçando a presença da pintura, escultura e fotografia.

Segundo os curadores – João Pinharanda, Margarida Chantre e Sérgio Mah – este novo conjunto intensifica o diálogo entre autores históricos e contemporâneos, “evidenciando continuidades e ruturas na produção artística nacional, ao mesmo tempo que permite acompanhar a evolução da criação nas últimas décadas”.

O título da exposição é inspirado numa obra sonora da artista Luísa Cunha que abre o percurso com a sua voz (“Turn around”, 2007), e convoca “uma pluralidade de sentidos”, numa interpelação direta ao visitante: “Vira-te, olha para ti mesmo, roda, olha em teu redor”.

Logo de seguida surge a escultura “Duplo objecto” (1960-70/2011), de Manuel Baptista, com o desenho simplificado de um arbusto, quase a par das fotos de Jorge Molder da série “Condição Humana” (2005).

Na nova fase de “Turn around” entram obras de artistas como Álvaro Lapa, Ana Hatherly, Ângelo de Sousa, Eduardo Batarda, Fernanda Fragateiro, Gabriel Abrantes, Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Julião Sarmento, Leonor Antunes, Paulo Nozolino, Pedro Calapez, Rui Chafes e Susanne S. D. Themlitz, entre outros nomes que reforçam o diálogo entre gerações e linguagens na coleção.

Paralelamente, o MAAT apresenta o projeto “Mais Alto” – nome da revista da Força Aérea Portuguesa – criado pela artista Margarida Correia, patente até 05 de outubro, com curadoria de João Pinharanda, diretor do museu, que abre ao público quarta-feira, em simultâneo com “Turn Around”.

A exposição parte de um conjunto de fotografias e arquivos reunidos pela artista junto de antigas enfermeiras paraquedistas da Força Aérea Portuguesa, protagonistas de um capítulo pouco conhecido da história recente do país.

Durante a Guerra Colonial (1961-1974), estas mulheres foram integradas, pela primeira vez, nas Forças Armadas Portuguesas, desempenhando missões de assistência médica em cenários de conflito em África, e no acompanhamento e tratamento de doentes e feridos em operações de evacuação, a bordo de aviões até aos hospitais de Lisboa.

A partir de álbuns privados, Margarida Correia constrói um conjunto de fotobiografias que cruzam dimensões pessoais e coletivas, dando visibilidade a percursos marcados pela coragem e pela quebra de normas sociais num contexto político conservador.

As imagens retratam episódios da vida profissional e quotidiana destas mulheres, como material de análise histórica, sociológica e antropológica, segundo o curador, que sublinha a “enorme coragem” das intervenientes nas missões, expondo-se aos perigos dos teatros de guerra, “numa altura em que se vivia num regime político patriarcal, em que a família tradicional era pilar essencial da sociedade”.

Margarida Correia nasceu em Lisboa, em 1972, cidade onde vive e desenvolve o seu trabalho artístico focado sobretudo na fotografia e na memória. Licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e obteve o seu mestrado em Fotografia pela School of Visual Arts de Nova Iorque, cidade onde também residiu e expôs regularmente.

Com estas duas exposições, o MAAT propõe uma leitura complementar entre a evolução da arte contemporânea em Portugal e a revisitação crítica de memórias históricas, com o objetivo, segundo a direção do museu, de reforçar o seu programa expositivo em torno de práticas artísticas e narrativas dos séculos XX e XXI.

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