
Beira, Moçambique, 27 abr 2026 (Lusa) – Moçambique pretende investir 2,6 mil milhões de dólares (2.217 milhões de euros) na construção e reabilitação de perto de três mil quilómetros de estradas nacionais até 2031, avançou hoje o ministro dos Transportes e Logística.
Falando no lançamento do seminário de divulgação do programa acelerado de reabilitação e construção de estradas nacionais 2026-2031, denominado “Mais Estradas”, João Matlombe destacou que Moçambique possui uma rede viária de 30.831 quilómetros, dos quais 22.349 não estão revestidos, correspondendo a 72,5%, realidade que, disse, “compromete gravemente” a mobilidade populacional, o escoamento agrícola e a integração territorial.
“É precisamente para responder a estes desafios que o Governo decidiu lançar o Programa Acelerado de Reabilitação e Construção de Estradas Nacionais (…), uma iniciativa estruturante que prevê intervenções em mais de três mil quilómetros de estradas nacionais, distribuídas por todas as províncias do país, com um investimento de aproximadamente 2,6 mil milhões de dólares norte-americanos”, declarou.
Em concreto, nas três províncias do norte de Moçambique, nomeadamente Niassa, Cabo Delgado e Nampula, vão ser intervencionados 951 quilómetros de estradas, enquanto no centro, nas províncias da Zambézia, Manica, Tete e Sofala, vão ser intervencionados 953 quilómetros.
Para as províncias do sul, nomeadamente Gaza, Inhambane e cidade e província de Maputo, vão ser 706 quilómetros de estradas a serem intervencionadas no âmbito deste programa, conforme informação do governante.
“Ao fim dos cinco anos de implementação, a percentagem de estradas revestidas aumentará de 22,5 para aproximadamente 37,8%, o que representa um salto histórico (…) na qualidade da rede rodoviária nacional e do crescimento dos corredores logísticos”, disse o ministro Matlombe.
O Governo esclareceu que as intervenções vão melhorar a transitabilidade nacional, incluindo a coesão territorial, melhorando a conectividade e a integração de todo o território nacional, sendo que com o programa se pretende ainda investir na resiliência climática por forma a dar maior resistência da rede rodoviária às cheias, erosão e ciclones.
Com o programa, Moçambique quer reduzir os custos logísticos de modo a criar condições para a redução dos custos do transporte de mercadorias, beneficiando a competitividade económica nacional e regional, além de gerar mais emprego e atração da confiança dos investidores, estimulando o crescimento económico sustentável a médio e longo prazos.
“Estamos cientes dos desafios enfrentados diariamente nas nossas estradas, principalmente neste momento em que o país está a erguer-se depois duma fase conturbada, mas queremos aqui e agora, reiterar que apelamos para que nunca vacilem perante adversidades, pois é nesta fase que devemos demonstrar a nossa capacidade de reinventar-nos e desbravar outros caminhos seguros e resilientes para atingir as metas que o país nos exige”, disse o ministro dos Transportes e Logística.
Na implementação deste programa, o ministro pediu à Administração Nacional de Estradas (ANE) proatividade, indicando que é preciso reduzir os níveis de corrupção, além de zelar pela qualidade das obras e “sair fora da caixa” para fazer face aos desafios financeiros cada vez mais escassos.
“Queremos que a ANE reclame pouco e aposte na investigação de modo a encontrar soluções resilientes e de baixo custo para construção e manutenção das estradas, principalmente para as terraplanadas, que tem sido o maior desafio do país”, disse o ministro.
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