
Bruxelas, 22 abr 2026 (Lusa) — A Comissão Europeia não apresentou hoje recomendações para reduzir o consumo energético, como recurso ao teletrabalho ou alternativas ao avião e carro, mas garantiu que “continua claramente” a incentivar a União Europeia (UE) a fazer tal redução.
“Do lado da procura, continuamos claramente a incentivar os Estados-membros a fazer tudo o que puderem para reduzir o consumo, tanto porque isso ajudará na atual crise de preços em que nos encontramos, como porque pode ajudar a prevenir problemas de segurança de abastecimento no futuro”, disse o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, falando em conferência de imprensa, em Bruxelas.
A Comissão Europeia apresentou hoje um pacote de medidas para fazer face à crise energética causada pela guerra na região do Médio Oriente, no âmbito das quais anunciou a criação de um Observatório de CombustÃveis para acompanhar as reservas, mas não mencionou, como constava de anteriores rascunhos, sugestões para diminuir o consumo energético.
“Quanto à s medidas especÃficas que os Estados-membros deverão escolher, pensamos que o melhor é que sejam eles próprios a decidir. Creio que aquilo a que se refere é ao facto de eu ter dito que as recomendações da Agência Internacional da Energia eram, de facto, boas e penso que, de forma geral, não só podemos confiar como devemos também apoiar o importante trabalho desenvolvido pela AIE”, explicou Dan Jørgensen.
Num rascunho anterior consultado pela Lusa, Bruxelas sugeria que os paÃses da UE promovessem pelo menos um dia obrigatório de teletrabalho por semana, adotassem alternativas ao automóvel (como bicicletas partilhadas, partilha de veÃculos, mais veÃculos elétricos e maior utilização do transporte público) e evitassem viagens aéreas sempre que possÃvel, na linha do que é recomendado pela Agência Internacional da Energia, mas isso não foi referido hoje.
Em causa está um conjunto de medidas que Bruxelas divulgou, esta manhã, para fazer face aos elevados preços da energia, incluindo apoio direcionado a consumidores e empresas, possÃveis reduções fiscais e ajustes de tarifas e utilização de instrumentos de mercado e reservas estratégicas.
A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.
Apesar de Bruxelas garantir não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos para famÃlias e empresas, pressão inflacionista e perturbações na indústria e nos transportes, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.
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