
Madrid, 21 abr 2026 (Lusa) – O comissário europeu da Energia disse hoje que a crise atual, provocada pela guerra no Médio Oriente, “não é energética, é de combustíveis” e defendeu que a Europa jamais deve voltar a importar “uma única molécula” da Rússia.
Dan Jørgensen, que falava em Madrid, no evento anual da associação Wind Europe, que promove as eólicas na União Europeia (UE), defendeu que a Europa deve acabar totalmente com a importação de energia russa e continuar a apostar na autonomia energética e na descarbonização da economia.
A UE não pode voltar a importar “nem uma única molécula de energia da Rússia”, seria “um grande erro”, disse o comissário Dan Jørgensen, que lembrou como a Europa foi consciente da dependência energética que tinha após o ataque da Rússia à Ucrânia em 2022.
“Esse erro não se pode voltar a cometer”, realçou.
O comissário destacou como quatro anos depois, e face a uma nova crise, agora por causa do conflito dos EUA e Israel com o Irão, a Europa conseguiu afastar-se da dependência energética da Rússia e é mais autónoma.
Dan Jørgensen afirmou que a crise atual não energética, mas de combustíveis, com a Europa a estar numa situação melhor do que em 2022 com a aposta nas renováveis e na diversificação da origem do abastecimento.
O comissário considerou que a independência energética europeia só será possível com mais renováveis e sublinhou que o conflito atual no Médio Oriente está a custar 500 milhões de euros adicionais por dia à UE por causa dos combustíveis fósseis.
“Precisamos de investir fortemente nas nossas fontes de energia próprias”, defendeu, realçando o potencial das eólicas.
Dan Jørgensen, que lembrou que a Comissão Europeia divulgará na quarta-feira um conjunto de propostas no contexto da guerra no Médio Oriente, defendeu que é preciso um sistema “mais flexível e mais integrado”, para evitar desperdício de energia na Europa e aproveitar todo o potencial das renováveis.
O comissário reconheceu ainda que é importante agilizar processos administrativos para licenciamentos e que “a vontade política” é essencial para um avanço mais rápido.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.
A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços.
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