
Maputo, 19 abr 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano pediu hoje a racionalização de combustÃveis disponÃveis, através do uso de transportes públicos e de trabalho remoto, apelando à preparação para uma eventual atualização dos preços destes produtos em maio.
Em comunicado divulgado hoje pelo Gabinete de Informação (Gabinfo), o executivo adianta que reiterou a disponibilidade de combustÃveis no paÃs, apelando aos operadores responsabilidade para nunca colocar em causa o interesse público no âmbito da disponibilização dos produtos.
“O Governo informa que vai continuar a trabalhar no sentido de proteger a economia, as famÃlias e os cidadãos, enquanto o PaÃs se prepara para, a breve trecho, atualizar os preços dos combustÃveis, cuja próxima reposição deverá ser feita através de produtos adquiridos numa altura em que os preços internacionais se encontravam em alta”, lê-se no documento divulgado pelo Gabinfo.
Neste sentido, o Governo exorta a todos para que “se preparem para o ‘novo normal'” que a manutenção da instabilidade no Médio Oriente há de causar, “racionalizando o uso de combustÃvel, elegendo os transportes públicos como opção, equacionando a possibilidade de realização do trabalho remotamente e outras medidas que forem necessárias”.
Maputo vive dias de caos em várias ruas, com filas generalizadas de automobilistas que tentam abastecer combustÃvel, com a maioria dos postos encerrados e outros com reforço policial, embora com ligeiras melhorias na disponibilidade de gasolina e gasóleo.
O cenário, associado à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente, tem vindo a alastrar-se a outras provÃncias do paÃs.
Hoje, o Governo avança ter constatado que a alegada crise de combustÃveis nos postos foi causada pela “corrida massiva de automobilistas aos postos de abastecimento”, adquirindo “quantidades descomunais com receio de esgotamento de ‘stocks’, incapacidade dalgumas distribuidoras de adquirir combustÃvel nos relevantes portos, devido a problemas de liquidez e fortes indÃcios de açambarcamento de combustÃveis”.
No sábado, o Governo moçambicano tinha adiantado ter iniciado a fiscalização dos postos de abastecimento, incluindo a verificação das quantidades nos tanques dos revendedores, e solicitou relatórios de venda para compreender a origem da falta de combustÃveis lÃquidos.
“Queremos agora perceber o que está a acontecer na cadeia de distribuição de combustÃveis (…). Estamos a fazer a verificação nos tanques para também perceber se existe combustÃvel nos tanques ou não e também estamos a solicitar o relatório de vendas em cada [posto de] venda, para também aferir se realmente esse combustÃvel chegou e está a ser vendido”, disse a diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e CombustÃveis (DNHC), Felisbela Cunhete.
“Queremos saber por que o combustÃvel que está a sair dos tanques lá na Matola não chega aos postos de abastecimentos, porque temos uma plataforma de controlo de tudo o que está a sair (…). Então, não faz sentido esse combustÃvel não chegar à s bombas, não faz sentido essas filas que estamos a assistir, porque o combustÃvel saiu”, acrescentou.
Com isso, os revendedores decidiram determinar quantidades máximas a vender por cada veÃculo, com a diretora da DNHC a esclarecer que não foi uma orientação do Governo.
A autoridade Reguladora de Energia (Arene) também está a fiscalizar os postos de abastecimento nas cidades de Maputo e Matola, na sequência das “grandes filas” que se têm registado nos últimos dias, visando apurar as causas de elevada procura e os constrangimentos no abastecimento.
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (Mireme) aprovou na quinta-feira “medidas excecionais e imediatas” para garantir o abastecimento de combustÃveis lÃquidos no paÃs, assegurando o reabastecimento célere dos postos e a existência de disponibilidade do produto ao público.
O Governo reconheceu anteriormente “pressão” sobre os postos de combustÃveis, quando surgem enormes filas para abastecer face a receios de rutura de ‘stock’ e subida de preços.
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