
Maputo, 17 abr 2026 (Lusa) – A Federação Moçambicana das Associações dos Transportes (Fematro) alertou hoje para o impacto da escassez de combustÃveis no paÃs, advertindo que, a continuar, a situação ameaça provocar falta de transportes públicos.
“O impacto é extremamente negativo, tendo em conta que os operadores já vêm gerindo prejuÃzos por causa da tarifa, que é social. Entretanto, com a crise de combustÃvel, os carros chegam a trabalhar metade do dia porque não têm combustÃvel suficiente para fazer o resto”, disse hoje à Lusa Castigo Nhamane, presidente da Fematro.
Maputo vive hoje o quarto dia de caos em várias ruas, com filas generalizadas de automobilistas que tentam abastecer combustÃvel, com a maioria dos postos encerrados e outros com reforço policial, embora com ligeiras melhorias na disponibilidade de gasolina e gasóleo.
Segundo o responsável da Fematro, esta situação prejudica, principalmente, os passageiros, obrigando-os a ficarem muito tempo nas paragens e nos terminais rodoviários, sem ter acesso ao transporte público, porque “alguns estão nos parques, porque não conseguiram sair, porque não têm combustÃvel” e outros estão em longas filas nos postos de abastecimento por muitas horas.
“Para depois chegar na boca da bomba e dizer que isso só pode abastecer 1.000 meticais [13,27 euros]”, disse, acrescentando: “O que um semicoletivo vai fazer com 12 litros de gasóleo? Portanto, o impacto é extremamente negativo e nós estamos, desde a semana passada, a pressionar o Governo para encontrar uma medida razoável para poder abastecer”.
De acordo com Nhamane, todas as capitais provinciais enfrentam já esta crise de combustÃveis, associada ao conflito do Médio Oriente, num cenário que descreveu como imprevisÃvel.
“Por exemplo, na Matola, ontem [quinta-feira] houve uma bomba que esteve a abastecer até as 01:00 [23:00 em Lisboa]. Estava cheio de chapas [transportes semicoletivos] e esses chapas estão na rua. Mas hoje mesmo estão de novo todas as bombas cheias de outros ‘minibuses’ que não têm combustÃvel”, disse.
Para os próximos dias, caso a situação não seja resolvida, a Fematro prevê um cenário caraterizado pela falta de transporte para os moçambicanos, mas, reiterou que essa crise não será motivo para o agravamento das tarifas para o passageiro.
“A tarifa não pode ser agravada por falta de combustÃvel, pode ser agravada por outros motivos, não por falta de combustÃvel. Não é a aumentar o preço que o carro vai ter combustÃvel no tanque”, acrescentou o responsável, pedindo ao Governo prioridade em alguns postos de abastecimento, para mitigar a situação.
Sobre o recente apelo à calma feito pela Direção Nacional de Hidrocarbonetos e CombustÃveis (DNHC), no qual o órgão também desencorajou o açambarcamento e a constituição de reservas domésticas de combustÃvel, Nhamane reconheceu não acreditar muito que esteja a haver esse açambarcamento, apesar de não descartar a possibilidade.
“A única coisa que eu digo é que se o combustÃvel estiver no posto de abastecimento, em quantidade suficiente, as pessoas não iam deixar de trabalhar para andar com galões nas mãos à procura de combustÃvel por todos os lados”, concluiu.
Face a esta crise, que já condiciona a atividade no paÃs, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia moçambicano anunciou no mesmo dia a aprovação de “medidas excecionais e imediatas” para garantir o abastecimento de combustÃveis lÃquidos no paÃs, assegurando o reabastecimento célere dos postos e a disponibilidade do produto ao público, situação agravada pelos efeitos do conflito no Médio Oriente.
O Governo reconheceu na terça-feira “pressão” sobre os postos de combustÃveis, quando surgem enormes filas para abastecer face a receios de rutura de ‘stock’ e subida de preços.
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