
Benguela, Angola, 15 abr 2026 (Lusa) — O presidente da UNITA, oposição angolana, apontou o assoreamento e a ausência de manutenção das barreiras como a “razão base” do transbordo do rio Cavaco, na província de Benguela, criticando o Governo pela falta de planeamento.
Adalberto Costa Júnior, que visitou, terça-feira e hoje, a província de Benguela, onde contactou as famílias vítimas das cheias, após o transbordo do rio Cavaco no domingo, e levou alguns bens de primeira necessidade, criticou o Governo pela falta de organização e planeamento.
“Porque em 2015 já aconteceu uma tragédia idêntica nesta província, que atingiu Lobito e Catumbela, desta vez uma tragédia em Benguela muito grande, espero que tenha o menor número de vidas perdidas, mas aqui foi perfeitamente possível identificar a razão”, disse, apontando o assoreamento do rio e a falta da manutenção das barreiras como “a razão básica”.
Segundo o presidente da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), que foi a Benguela acompanhado por deputados e questionou engenheiros hidráulicos sobre as razões do transbordo do rio, a ação governativa deve ser melhor organizada.
“Entender quanto [é] o custo [de ter] o rio assoreado, não nos pareceu demasiado caro, não nos pareceu que seja uma questão de limitação de meios, é uma questão organizativa que deve melhorar (…). Viemos acompanhados de deputados e, seguramente, a constatação feita nos vai levar a uma partilha com a governação, com quem tem a responsabilidade e ação governativa no sentido de não se repetir”, afirmou.
Pelo menos 19 pessoas morreram, algumas estão desaparecidas e mais de 3.600 estão desalojadas em consequência das cheias registadas em Benguela, no domingo, após as chuvas que causaram o transbordo do rio Cavaco na sequência do rompimento do dique de proteção.
Os afetados, em consequência das cheias que atingiram vários bairros da província, estão alojados em acampamentos, igualmente visitados hoje pelo Presidente da República, João Lourenço, que trabalha esta quarta-feira na província e avalia as consequências das chuvas.
Costa Júnior criticou as “intervenções paliativas” que, alegadamente, estão a ser feitas na compactação das barreiras do rio, após a redução do caudal.
“A intervenção imediata não deve ser paliativa, porque está a ser feita nos moldes que permitiram o desastre, não há compactação da barreira e nessas condições não é de facto a solução”, atirou.
Hoje, na sua rede social, o líder da UNITA escreveu que parte de Benguela “com coração pesado, mas com a mente iluminada pela escuta de [quem] sabe”, salientando que engenheiros e especialistas ofereceram mais do que diagnósticos: “ofereceram caminhos claros”.
“A tragédia que hoje choramos poderia ter sido evitada com planeamento, drenagem eficaz e decisão política. Quem governa deve servir. E servir é proteger vidas. Os recursos do Estado existem para isso. Já sabemos o que fazer. Falta apenas vontade: abrir os cofres e agir”, acrescentou no texto da sua página oficial do Facebook.
DAS // MLL
Lusa/Fim
