Netanyahu exorta Europa a “fazer guerra pelo bem” e por “obrigação moral”

Jerusalém, 13 abr 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reivindicou hoje ter infligido, com apoio norte-americano, “o golpe mais duro” da história do regime iraniano e exortou os países europeus a juntarem-se a esta “guerra pelo bem”, por “obrigação moral”. 

Falando em Jerusalém no memorial de Yad Vashem, na abertura das cerimónias em memória das vítimas do Holocausto, Netanyahu defendeu que “no momento da verdade, é preciso ir à guerra pelo bem, pela vida” e que a Europa “jurou defender o bem após a [2ª Grande] Guerra”.

A Europa “tem uma profunda obrigação moral”, mas “perdeu o controlo da sua identidade, dos seus valores, da sua obrigação de proteger a civilização da barbárie”, mas “Israel não esqueceu este mandamento cristão”, argumentou.

“Estamos a defender a Europa, uma Europa que esqueceu tantas coisas desde o Holocausto”, adiantou Netanyahu, reivindicando estar a “defender o mundo inteiro” com o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Nos ataques iniciados a 28 de fevereiro contra o Irão, referiu, “Israel está ao lado dos Estados Unidos na vanguarda do mundo livre”, e a Europa “pode aprender muito” com estes dois países “e, acima de tudo, o mais importante: distinguir o bem do mal”. 

Israel assinala o seu Dia da Memória do Holocausto de segunda-feira à noite a terça-feira, em homenagem aos seis milhões de judeus assassinados pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. 

Na sua intervenção no Yad Vashem, Netanyahu contratulou-se por ter “desferido ao regime de terror iraniano o golpe mais duro da sua história”.   

“Se não tivéssemos agido, nomes como Natanz, Fordo, Isfahan (…) poderiam ter ficado para sempre associados à infâmia, tal como Auschwitz, Treblinka, Majdanek e Sobibor”, afirmou o líder israelita, comparando as instalações nucleares iranianas aos campos de concentração nazis. 

As comemorações oficiais, organizadas todos os anos em abril ou maio, segundo o calendário hebraico, tiveram início num contexto de frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, mais de um mês após o início da guerra no Médio Oriente. 

Israel continua envolvido em combates contra o movimento islamista Hezbollah, um aliado de Teerão, no Líbano. 

O exército israelita reclamou hoje ataques contra cerca de 150 alvos do grupo xiita Hezbollah no sul do Líbano nas últimas 24 horas, na véspera das negociações previstas para Washington entre representantes israelitas e libaneses.  

Durante o dia, Netanyahu, insistiu que Israel vai dar continuidade ao plano de criar uma “zona de segurança sólida e mais profunda” no sul do Líbano, onde assinalou que “os combates continuam”, apesar da reunião prevista entre os embaixadores dos dois países para discutir um cessar-fogo.   

Israel recusa-se a discutir um cessar-fogo com o Hezbollah, entre interpretações opostas sobre a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo alcançado na semana passada por Estados Unidos e Irão na ofensiva israelo-americana desencadeada em 28 de fevereiro contra a República Islâmica. 

O Governo libanês observou que as negociações com Israel são separadas da trégua acordada na terça-feira para o conflito do Golfo, depois de o Paquistão, país mediador no processo, ter indicado o inicialmente o contrário. 

Israel e Estados Unidos entenderam que a trégua não abrangia o Líbano, levando o Irão a ameaçar faltar às negociações de paz com uma delegação norte-americana em Islamabade no passado fim de semana, que acabaram por terminar sem acordo. 

O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo após a ofensiva aérea, a 28 de fevereiro, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024, nunca verdadeiramente respeitado. 

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita.  

Netanyahu ameaçou reiteradamente que se as autoridades libanesas não conseguem controlar e desarmar o Hezbollah, Israel irá fazê-lo no seu lugar. 

 

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