PM libanês está a trabalhar para conseguir a retirada israelita do território

Beirute, 12 abr 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro libanês afirmou hoje que o país está empenhado em conseguir a retirada total de Israel do seu território e em pôr fim à guerra através da negociação, dias antes das conversações em Washington com Israel.

“Continuaremos a trabalhar para pôr fim a esta guerra e obter a retirada israelita de todo o nosso território […] através da negociação”, afirmou Nawaf Salam num discurso dirigido aos libaneses.

As declarações surgem na véspera do 51.º aniversário do início da guerra civil no Líbano, que durou 15 anos, e num momento em que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se deslocou ao sul do Líbano, onde as suas tropas estão a conduzir uma ofensiva terrestre.

O Governo libanês estabeleceu uma trégua como pré-requisito para as negociações e planeia exigir a retirada israelita, a libertação de prisioneiros libaneses e o regresso de mais de um milhão de libaneses deslocados.

As autoridades libanesas criticaram os ataques aéreos e a invasão terrestre de Telavive, mas também condenaram o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah por ter lançado ataques em 02 de março em apoio ao Irão, desencadeando a mais recente escalada.

O Líbano e Israel vão realizar conversações diretas em Washington a partir de terça-feira, numa tentativa de pôr fim ao conflito de Israel com o Hezbollah, um grupo militante no Líbano apoiado pelo Irão.    

O exército israelita lançou hoje novos ataques de grande envergadura em Qana, no sul do Líbano, um dos quais matou pelo menos cinco pessoas e feriu outras 25, segundo os meios de comunicação estatais e o Ministério da Saúde libanês.

Também no sul, Netanyahu dirigiu-se às suas tropas e alertou que “há muito trabalho a fazer”.

O primeiro-ministro, que estava acompanhado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, e pelo chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, assegurou que “a guerra continua, inclusive dentro da zona de segurança do Líbano”, segundo a agência espanhola EFE.

O primeiro-ministro israelita referia-se, mais concretamente, à zona a sul do rio Litani, uma área que representa pouco menos de 10% do território libanês e que o Exército ocupa desde a guerra regional que iniciaram, em conjunto com os Estados Unidos, contra o Irão, e à qual a milícia xiita libanesa Hezbollah se juntou em apoio a Teerão.

“Uma das coisas que vemos aqui é que alterámos radicalmente o panorama do Médio Oriente. Os nossos inimigos, o Irão e o eixo do mal, vieram para nos destruir e agora lutam simplesmente pela sua própria sobrevivência”, afirmou Netanyahu.

Hoje, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) acusou as forças israelitas de embaterem por duas vezes com um tanque contra veículos da força das Nações Unidas, provocando “danos significativos” a um dos veículos.

De acordo com o comunicado da FINUL, os incidentes ocorreram após as Forças de Defesa de Israel (IDF) terem bloqueado uma estrada utilizada para aceder às posições da força internacional em Bayada, uma localidade do sul do Líbano.

Durante a semana, “soldados israelitas dispararam tiros de aviso na região, atingindo e danificando veículos da FINUL claramente identificáveis”, indicou ainda o comunicado, precisando que um tiro “aterrou a um metro de um soldado da Força de Paz que tinha saído do seu veículo”.

Além disso, as IDF têm bloqueado continuamente os movimentos dos capacetes azuis (como são conhecidos os operacionais das missões de paz da ONU) nessa estrada nos últimos dias, somando-se a outras restrições à liberdade de circulação registadas em diferentes zonas, acrescentou a organização no comunicado.

Israel lançou uma onda de bombardeamentos em grande escala contra o Líbano na quarta-feira, que matou 357 pessoas num único dia e feriu outras 1.223, elevando para mais de 2.000 o número total de mortos desde o início do conflito, há cinco semanas, segundo o Ministério da Saúde libanês.

 

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