
Terrão, 11 abr 2026 (Lusa) — O Irão negou hoje que dois navios da marinha norte-americana tenham atravessado o estreito de Ormuz para começar a “criar condições” para a remoção das minas colocadas pela República Islâmica durante a guerra com os Estados Unidos.
“Refuta-se veementemente a afirmação do comandante do CENTCOM [Comando Central dos Estados Unidos] sobre a aproximação e a entrada de embarcações norte-americanas no estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Comando Geral Central Jatam al Anbia, o coronel Ebrahim Zolfagari, segundo informou a televisão estatal iraniana.
O porta-voz militar assegurou que a iniciativa para a passagem de qualquer navio continua nas mãos das Forças Armadas do Irão.
As declarações surgiram pouco depois de o Comando Central dos EUA ter informado, num comunicado, sobre uma operação naval destinada a remover as minas colocadas pelo Irão na estratégica via marítima, por onde passa 20% do petróleo mundial.
Segundo o comando norte-americano, os dois contratorpedeiros — o USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy — terão transitado pelo estreito e pelo Golfo Pérsico como parte de uma missão para garantir a segurança do tráfego marítimo.
O anúncio surgiu após a trégua temporária acordada na quarta-feira entre os Estados Unidos e o Irão, países que iniciaram hoje negociações de paz na capital do Paquistão.
O Irão fechou o estreito de Ormuz após o início da guerra com Israel e os Estados Unidos em 28 de fevereiro, restringindo o tráfego marítimo, o que afetou o fluxo de petróleo e provocou a subida dos preços internacionais do crude e dos produtos derivados.
Neste momento encontram-se no Paquistão delegações dos Estados Unidos e do Irão para negociar o fim do conflito.
As negociações de paz têm como temas centrais o fim duradouro da guerra, do bloqueio do estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e a produção mísseis de longo alcance, o apoio de Teerão a grupos armados no Médio Oriente, como o Hezbollah no Líbano, os Huthis no Iémen ou o Hamas na Palestina, e as sanções económicas à República Islâmica.
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